sexta-feira, 1 de março de 2013

TEXTOS DE APOIO 7º ANO ( 6ª série )


1ºBIMESTRE

1. Fronteiras da República Federativa do Brasil (uso do vídeo)


Vamos iniciar nossos estudos a partir das fronteiras e limites do território brasileiro, tendo em vista o ordenamento jurídico administrativo da República Federativa do Brasil. Como exemplo, vamos interpretar o mapa político do país, assim como de outros mapas em diferentes escalas, tornando possível situar a unidade escolar no município, na região administrativa e no Estado de São Paulo.
A República Federativa do Brasil é organizada em três níveis de poder: o municipal, o estadual e o federal. Assim, para estudar o território brasileiro é preciso considerar mapas em diferentes escalas, do território do município ao território da nação.
O mapa na página 3 do caderno do aluno apresenta a divisão política do Brasil. O Brasil é um país, uma nação e está no âmbito federal. Quando algo se refere como federal, devemos entender que é no sentido do país. Por exemplo, quando vemos uma informação que tal obra é realização do Governo Federal, é algo que o presidente do país determinou, tem uma abrangência maior.
O país está dividido em vários “pedaços” que chamamos de Estado. Como exemplo, temos Roraima, São Paulo, Minas Gerais.  Os estados são administrados pelos governadores. No “Mapa da divisão municipal do Estado de São Paulo”, na página 4 do caderno do aluno, observamos o Estado de São Paulo dividido em vários “pedaços”: os municípios ou cidades. Os municípios (cidades) são administrados pelos prefeitos. Como exemplo mais próximo temos Osasco, Cotia, Guarulhos, São Paulo, Santo André. Tente localizar a cidade de São Paulo no mapa da página 4.
Para enriquecer nosso entendimento, vamos analisar o exemplo da família de um menino que vive no município de Araruama, no estado do Rio de Janeiro. O vídeo “Araruama, o espelho das águas” apresenta aspectos históricos, econômicos e políticos da formação do município de Araruama, com base em situações da vida cotidiana.
            A Região dos Lagos, localizada no Estado do Rio de Janeiro, historicamente foi uma região ocupada para a produção de sal. Aos poucos, as salinas foram sendo substituídas por loteamento para a exploração turística, principalmente de segunda residência (casas de veraneio). No litoral do Estado do Rio de Janeiro, há várias formações lagunares (lagoas), principalmente na região conhecida como Região dos Lagos. Dentre elas, a Lagoa de Araruama banha seis municípios do Estado do Rio de Janeiro: Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Arraial do Cabo. A Lagoa estabelece o limite administrativo entre vários municípios fluminenses, mas não divide esses municípios. Pelo contrário, os unifica em uma mesma fronteira: a do turismo litorâneo. Apenas uma parte da lagoa de Araruama pertence ao município de Araruama, que faz limite com outros municípios cariocas, como Cabo Frio. Ainda que todos esses municípios façam parte de uma mesma realidade, por estar localizados em uma região, a da Lagoa de Araruama, com intensa exploração turística, existe limites entre os diferentes municípios.
No Brasil, os estados de maior extensão territorial são aqueles que se formaram mais tarde e que ofereciam alguma dificuldade de acesso aos exploradores, como Amazonas, Pará e Mato Grosso. O mesmo acontece com os estados de maior extensão territorial de terras indígenas: Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia. Já as maiores concentrações populacionais estão nos estados localizados na faixa litorânea (onde começou o povoamento).

2. Fronteiras permeáveis

            No estudo do território brasileiro, vamos aprofundar o estudo das fronteiras nacionais. Diferentemente da idéia de limite, o termo fronteira é mais amplo e pode ser compreendido como a margem do mundo conhecido e habitado. Neste caso, a idéia de fronteira como frente pioneira ou área de expansão em direção a territórios “vazios” ou “a conquistar” sempre foi muito forte no caso brasileiro. Contudo, a emergência dos Estados nacionais no século XVIII e processos de demarcação de terras coloniais, como ocorreu com Portugal, na América, associaram fronteira à linha de divisa entre Estados vizinhos. Ou seja, a palavra limite tem sua origem no fim daquilo que mantém coesa uma unidade político-territorial. Assim, limite é uma linha de separação abstrata, porém definida juridicamente (fator de separação), enquanto fronteira configura uma zona de contato (fator de integração).

Leitura e comparação de mapas da zona de fronteira do Brasil com seus países vizinhos
Vamos estudar a situação do Brasil na zona de fronteira com seus países vizinhos (zona de fronteira internacional), a partir de exemplos de cidades gêmeas, contíguas territorialmente com outras cidades de países vizinhos. No caso do Brasil, há inúmeras cidades na zona de fronteira, inclusive 123 delas consideradas cidades-gêmeas.
No mapa “Zona de Fronteira – Cidades e Vilas”, na página 10 do caderno do aluno, observe a faixa laranja, que apresenta a zona de fronteira. Observe os outros países.
Os únicos países sul-americanos que não possuem fronteira com o Brasil são o Chile e Equador. No caso do Chile, o contato por terra com o Brasil se estabeleceu por meio da Argentina, tendo a cidade de Mendonza como ponto de apoio para a travessia da Cordilheira dos Andes; se observarmos o mapa, podemos atravessar o Paraguai ou a Bolívia. O Equador pode ser acessado através do Peru e da Colômbia. Bolívia é a fronteira mais permeável e extensa, com inúmeras interações. No sentido do sul para o norte, observam-se grandes cidades como Corumbá, Cáceres, Vilhena e Rio Branco, localizadas na faixa de fronteira. Há uma rodovia que liga Corumbá a Santa Cruz de la Sierra. Mais ao norte, podemos observar várias cidades-gêmeas, como Brasiléia (Acre) e Guajará-Mirim (Rondônia). O estado brasileiro que possui uma ocupação mais densa na zona de fronteira é o Paraná. Fazendo divisa com o Paraguai e a Argentina, possui inúmeras cidades na zona de fronteira e um intenso comércio com os países vizinhos.

Análise das interações econômicas em zona de fronteira
Um exemplo de cidade-gêmea e as interações existentes em sua zona de fronteira é o de Guajará-Mirim, Rondônia. Ela está separada de sua cidade-gêmea boliviana Guayaramerín apenas pelas águas do rio Mamoré, como mostra a foto de satélite “Guajará-Mirim e Guayaramerín” na página 11. É possível avistar pessoas que vivem na outra cidade, na margem oposta. Apesar de essas pessoas viverem em países diferentes, elas podem fazer parte de várias interações. Do Brasil para a Bolívia circulam produtos alimentícios, calçados e eletrodomésticos. Da Bolívia para cá circulam madeira, borracha, gado bovino e castanha. As capitais Porto Velho (Rondônia) e Rio Branco (Acre) mantêm relações econômicas com a Bolívia através de Guajará-Mirim. São comercializados, principalmente, combustível e gêneros alimentícios, por via terrestre.
Outro exemplo é o caso de Tabatinga (Brasil) e Letícia (Colômbia). Diferente de Guajará-Mirim, para o viajante cruzar a fronteira internacional entre Tabatinga e Letícia não precisa atravessar um rio. Basta atravessar ou ir em frente por uma das avenidas da cidade brasileira e o visitante já se encontra em outro país, como podemos observar na foto de satélite “Tabatinga e Letícia”, na página 13. Essa é a situação cotidiana de milhares de brasileiros que vivem na fronteira. O Brasil estabelece interações econômicas com o mundo por meio de Tabatinga. Além do intercâmbio que se estabelece com a Colômbia e o Peru, por essa zona fronteiriça o Brasil conecta essa região com outros países, como os Estados Unidos e a China. Os produtos industrializados provenientes da China e Estados Unidos chegam nessa zona de fronteira através do transporte marítimo, desembarcados no porto de Manaus. De Manaus, essas mercadorias seguem para Tabatinga por via fluvial e de lá são distribuídas para o interior da Colômbia e do Peru. Em Tabatinga comercializam-se produtos alimentícios, material de construção e pescado. Em Letícia, os brasileiros compram gasolina, autopeças, cigarros e produtos eletroeletrônicos.

3. Estudo da formação territorial do Brasil por meio de mapas

Como se consolidou a formação territorial do país? Vamos analisar as ações políticas e territoriais, responsáveis pela consolidação histórica de nossas fronteiras e que culminaram em um país de dimensões continentais.
Os mapas mais antigos do Brasil revelam a forma de ocupação do território durante os primeiros séculos de dominação portuguesa: o interior da Colônia, ainda desconhecido, “enfeitado” com ilustrações indígenas, plantas e animais “exóticos”, e o litoral, que estava sendo explorado, ocupado e nomeado. Durante muito tempo, as atividades econômicas mais importantes do Brasil colonial – responsável pela produção de mercadorias extrativas e agrícolas para comercialização nos mercados europeus – permaneceram nas proximidades do mar e dos portos marítimos.
Os mapas da América Portuguesa do século XVIII revelam uma mudança muito importante: as cartas náuticas foram substituídas pelas cartas topográficas e passaram a ser valorizadas como recurso fundamental para localizar as riquezas encontradas no interior da Colônia. As cartas topográficas transformaram os conhecimentos da Cartografia em importantes instrumentos para o registro das informações obtidas do território na ocupação do interior do continente. Esse detalhamento dos mapas das terras brasileiras foi um recurso técnico fundamental para o sucesso das negociações diplomáticas que garantiram a posse portuguesa do atual Rio Grande do Sul e uma parcela considerável da Bacia Amazônica, conforme ficou estabelecido no Tratado de Madri (1750).

Introdução à comparação de cartas seiscentistas
A configuração do território mudou ao longo do tempo, por isso é importante estudar os mapas históricos para compreender como ocorreu esse processo.
Os mapas mais antigos do Brasil e da América do Sul revelam a forma de ocupação do território pela Coroa Portuguesa durante as primeiras décadas da colonização. Observe o “Planisfério de Ptolomeu, 1486”, nas páginas 20 e 21 do caderno do aluno. Cláudio Ptolomeu viveu no século II e era geógrafo, astrônomo e matemático alexandrino. Ele escreveu duas grandes obras: “Composição matemática, estudo sobre Astronomia” e “Geografia, um manual com instruções para a elaboração de mapas e uso de projeções”. A obra de Ptolomeu foi conservada pelos árabes e introduzida no ocidente durante a Idade Média. Mantida nas bibliotecas européias, seus mapas representam a visão que os europeus tinham do mundo pouco antes das grandes navegações, com base nos conhecimentos acumulados desde a Grécia antiga e era a principal fonte de consulta para o estudo do mundo conhecido antes das grandes navegações. Essa edição se encontra na Biblioteca Nacional.
            Os continentes conhecidos pelos europeus eram Europa, Ásia e África. As ornamentações da moldura do mapa eram pessoas soprando o vento (deuses do vento). Essas figuras, desenhadas na decoração do mapa, estão associadas com o uso das cartas nas navegações (eles usavam as direções dos ventos e das marés para orientação). Para os europeus daquela época, não existia a América.
            O segundo mapa da série, o “Planisfério de Wytfliet (detalhe), 1597”, na página 22 do caderno do aluno, é considerado o primeiro atlas americano, rico em detalhes, principalmente ao se considerar o traçado de alguns rios. Seu autor foi um belga que simplesmente inseriu na base cartográfica de Ptolomeu as terras recentemente descobertas. Os elementos geográficos da América do Sul utilizados na representação desse mapa eram rios e montanhas e as duas principais bacias hidrográficas representadas no mapa eram a Bacia Amazônica e a Bacia do Prata.

Preparação da leitura e comparação de cartas seiscentistas
Os mapas seiscentistas apresentam um rico detalhamento de informações sobre o litoral brasileiro.
Se observar um mapa do relevo brasileiro atual, preste atenção nas bacias hidrográficas: percorra o curso d’água do rio Amazonas e depois do rio Paraná, desde a nascente até a foz. Faça o mesmo procedimento para reconhecer o trajeto percorrido por outros rios brasileiros, como o São Francisco, o Araguaia e o Tocantins. Esses três últimos rios correm no sentido sul-norte (representados cartograficamente, na folha de papel, como se fosse um traçado “de baixo para cima”). Nem “tudo que está em cima desce”. O mapa é apenas uma representação e, portanto, vocês devem considerar o traçado em solo.
Para finalizar essa leitura exploratória, vamos estudar o “Planisfério de Cantino,1502”, nas páginas 24 e 25, e o mapa “Terra Brasilis”, de Lopo Homem nas páginas 26 e 27: as desembocaduras dos rios das principais bacias hidrográficas eram referências para a navegação costeira no novo continente. As informações mais precisas que os portugueses possuíam das novas terras, em 1502, conforme registro no “Planisfério de Cantino” é o traço da linha de Tordesilhas, que dividia as possessões das novas terras e as que porventura fossem descobertas pela Espanha e Portugal. Do novo continente, já estão traçados, dentro da precisão da época, o perfil atlântico do Brasil e, de forma bem detalhada, as ilhas do Caribe. Trata-se de uma carta náutica, na qual é possível observar o traço da direção dos ventos em toda a superfície representada. Já em 1519, em “Terra Brasilis”, de Lopo Homem também há os rumos dos ventos, mas o detalhamento das informações da costa brasileira é muito maior, inclusive com a indicação dos nomes de inúmeras localidades. As ilustrações ornamentais desses dois mapas, tecnicamente chamadas iluminuras, complementam as informações mais precisas do mapa com uma série de aspectos pitorescos como naus, caravelas, cidades, homens e animais, desenhados de maneira figurativa. Os pontos extremos do avanço português, tanto para o Norte como para o Sul foram a foz do Amazonas (Norte) e a foz da Bacia do Prata (Sul).
A interpretação dos mapas é uma habilidade muito importante para a compreensão da Geografia: é a transposição de um conhecimento expresso em uma linguagem para outra.

Leitura comparativa de cartas dos séculos XVII e XVIII: a ocupação do interior
O acervo documental dos séculos XVII e XVIII é bastante rico em detalhes em função da forte expansão dos portugueses em direção ao interior da América. Alguns traços comuns nas narrativas são as situações que ocorreram no litoral, envolvendo embarcações ou o contato com indígenas. As cartas e diários, como fonte de registros históricos, são importantes porque não havia outra forma de comunicação naquela época. Hoje, as formas de comunicação do mundo atual (internet, rádio, televisão) facilitam a disseminação de novas idéias e notícias.
Além dos mapas, muitas bibliotecas, arquivos e museus do Brasil e de Portugal possuem documentos como cartas e diários de bordo, importantíssimos para o estudo da História e Geografia de nosso país. Este é o caso do material existente no Arquivo Nacional que, a exemplo da Biblioteca Nacional, possui um site muito interessante – um exemplo das novas formas de comunicação e de divulgação das informações no mundo contemporâneo.
A carta “Contato entre brancos e índios”, nas páginas 29 e 30 no caderno do aluno, foi extraída desse site e retrata as condições sob as quais os portugueses viviam nas localidades distantes do litoral. Os personagens envolvidos na situação são padres, bandeirantes e índios. O autor da carta escreve para seus superiores a respeito do receio de um padre de viajar por alguns caminhos onde vivem índios hostis aos portugueses. Segundo relato do padre, quando houve a tentativa de aproximação, os desbravadores foram atacados pelos índios, o que exigiu o uso de armas de fogo. A ocupação portuguesa no interior da América não foi pacífica. O fato ocorreu nas proximidades de Cuiabá, em 1820.

Leitura comparativa de mapas dos séculos XVII e XVIII: demarcações a serviço da diplomacia
            Se compararmos mapas do século XVII com o mapa das entradas e bandeiras (séculos XVII e XVIII), identificamos alguns elementos geográficos comuns: os rios conhecidos eram os da Bacia do Prata e da Bacia Amazônica. A zona de contato entre essas duas bacias era a região do Pantanal, indicada nos mapas como um grande lago no interior do Brasil. A maioria dos lugares identificados (com nome) está localizada no litoral. Os portugueses conheciam, do território paulista, seguindo o traçado dos rios Paraná e Paranapanema, algumas cidades e povoados criados no litoral paulista, como Itanhaém e São Vicente. As ruínas de missões jesuíticas, nos atuais territórios do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, estavam localizadas ao sul da capitania de São Vicente. Nessas regiões, jesuítas espanhóis haviam ensaiado fixar o índio à terra, por meio da catequese. Vila Rica, por exemplo, possuía 45 mil habitantes, quando foi invadida e destruída pelo bandeirante Raposo Tavares, em 1628. Os mapas eram importantes para a consolidação das posses portuguesas e indicavam os principais caminhos adotados na exploração do interior do continente.
Uma idéia importante para o desenvolvimento do conceito de território é a diferenciação entre fronteira e limite:
- Fronteira é mais amplo e pode ser compreendido como a margem do mundo conhecido ou habitado. Neste caso, a idéia de fronteira como frente pioneira ou área de expansão em direção a territórios “vazios” ou “a conquistar” sempre foi muito forte no caso brasileiro. Contudo, a emergência dos estados nacionais no século XVIII e processos de demarcação de terras coloniais como ocorreu com Portugal na América associaram fronteira à linha de divisa entre estados vizinhos; configura uma zona de contato (fator de integração).
- Limite tem sua origem no fim daquilo que mantém coesa uma unidade político-territorial; é uma linha de separação abstrata, porém definida juridicamente (fator de separação).
As diferenças entre fronteira e limite são essenciais, uma vez que a primeira é orientada para fora (forças centrífugas) e a segunda para dentro (forças centrípetas).
Observando os mapas utilizados para a demarcação dos limites territoriais do Brasil, no século XVIII, identificamos o que estava em discussão entre Portugal e Espanha: a definição do traçado de linha divisória. Esses mapas indicavam inúmeros acidentes geográficos, necessários como pontos de referência da documentação diplomática (amigável). Os rios ou as cadeias montanhosas foram utilizados para a demarcação dos limites territoriais do país.
Contudo, a emergência dos estados nacionais no século XVIII e processos de demarcação de terras coloniais como ocorreu com Portugal na América associaram fronteira à linha de divisa entre estados vizinhos.

4. Estudo da formação territorial do Brasil por meio da literatura: o contexto cultural

A narrativa proporciona aos leitores uma viagem imaginária para o interior do mundo relatado. É uma espécie de mapeamento da experiência cotidiana vivenciada por alguém, em algum lugar. Enredo, personagens, tempo, lugar, foco são alguns dos elementos profundamente interligados numa narrativa que se complementa no todo da história. Vamos explorar esse universo literário para a ampliação do nosso horizonte geográfico por meio da diversificação de linguagens.

Leitura e comparação de mapas do Rio Grande do Sul do século XVIIIl
Um exemplo de dimensão cultural das fronteiras políticas é o Rio Grande do Sul. Seu território é resultado da história ocorrida a partir da destruição das missões jesuíticas por tropas portuguesas e o tenso contato com as comunidades indígenas e a América espanhola em seus arredores. O contexto regional, no qual estavam inseridos os gaúchos no século XVIII, justifica a condição de isolamento da fronteira gaúcha, distante milhares de quilômetros das outras cidades e de povoados portugueses, numa zona de fronteira politicamente instável, como observamos nos mapas “Rio Grande do Sul: primeira metade do século XVIII” e “Rio Grande do Sul: campanha gaúcha do século XIX” nas páginas 34 e 35 no caderno do aluno. Por exemplo, os empreendimentos portugueses naquela época eram a construção de fortificações e a fundação de povoados como Rio Grande de São Pedro (Porto Alegre).
Observando esses mapas citados, percebemos que a ocupação portuguesa ocorre do litoral para o interior. A Vila do Rio Grande de São Pedro, que dá origem a Porto Alegre, era o povoado mais antigo, além de algumas fortificações. No final do século XIX, vários povoados já existiam nas proximidades do Rio Uruguai, como São Borja, aproximando os limites territoriais gaúchos da atual forma do Rio Grande do Sul.

Leitura comparativa de textos de obras romanescas gaúchas
            Segundo o Atlas de representações literárias do IBGE, não faltam exemplos de boas narrativas do povo da fronteira no Rio Grande do Sul. A condição de fronteira conquistada e o forte sentimento de pertencimento do povo gaúcho marcaram profundamente a Geografia, a História e a literatura do Estado.
Vamos “mergulhar” no universo cultural da fronteira, lendo um fragmento dos “Contos Gauchescos” de Simões Lopes Neto, na página 37, no primeiro quadro, do caderno do aluno e de um outro do romance, “Um quarto de légua em quadro”, de Luiz Antônio de Assis Brasil, na página 38. Coloque-se no lugar dos personagens ou do narrador da história. Que sentimentos a narrativa desperta? Medo? Curiosidade perante o desconhecido?

Leitura comparativa de textos de obras romanescas gaúchas: o ambiente do Sul do país
Para aprofundar o conhecimento do universo imaginário da fronteira, a sugestão é o contato com a obra de Érico Veríssimo, especialmente “O tempo e o vento”. Trata-se de uma trilogia dividida em “O continente”, “O retrato” e “O arquipélago”, com uma abrangência histórica de duzentos anos. No trecho selecionado abaixo, o autor narra a relação do tempo com o lugar explorando a ligação entre a formação do território e o enredo:
               

“Uma geração vai, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu. O Vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte continuamente vai girando o vento, e volta fazendo circuitos”
VERÍSSIMO, Erico. O tempo e o vento: o Continente. Volume I.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p.32. © Herdeiros de Erico Veríssimo.


            Outro trecho está na página 37, no primeiro quadro, do caderno do aluno.
            Como a obra literária pode ser compreendida como resultado de uma busca incessante de uma linguagem que dê conta de expressar a realidade para as pessoas nela inseridas? A apreciação da manifestação artística também é de interesse da Geografia, pois amplia a nossa capacidade de percepção do mundo. Além de inferir aspectos da ambientação do lugar, temos a oportunidade de expressar adequadamente nossas idéias e respeitar as idéias dos outros.


2º BIMESTRE

5. Agrupamento regional das unidades federadas (irá utilizar o mapa mundi)


Nesse capítulo, vamos estudar a divisão regional do país, fundamentada na análise estatística e em estudos cartográficos. Para isso, serão consideradas tabelas baseadas nos dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios do IBGE, de 2006.
O Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) foi idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq (1934-1998) e pelo economista indiano Amartya Kumar Senn (1933-), que desenvolveram esse novo índice a fim de comparar os países (ou também apurar o desenvolvimento de cidades, estados ou regiões) não apenas considerando a dimensão econômica, com base no Produto Interno Bruto (PIB) – como era muito comum até 1998. Eles partiram da idéia de que a análise do avanço de uma comunidade também deveria considerar outros aspectos sociais e culturais. Para isso, além de computarem o PIB per capita de cada país, correlacionaram a expectativa de vida e o nível educacional. O objetivo era medir o grau de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida oferecida à população.
Essa metodologia difundiu-se por todo o mundo e é utilizada em estudos das disparidades regionais internas em mais de cem países. O IDH apresenta uma escala de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor é a situação do país em relação ao seu desenvolvimento.
            No cálculo do IDH são computados os seguintes fatores: educação (taxa de alfabetização e escolarização), longevidade (expectativa de vida da população) e renda (PIB per capita – produção de riqueza por pessoa). Embora apresente deficiências no sistema educacional, o IDH do Brasil é considerado médio para alto, pois o país vem apresentando bons resultados econômicos. A expectativa de vida em nosso país também tem aumentado, colaborando para o índice. Mas, se analisarmos a situação do território brasileiro em diferentes escalas, há enormes contrastes.

Análise do mapeamento do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)
Antes de analisarmos os mapas “Índice de Desenvolvimento Humano dos estados brasileiros, 2000”, na página 3, “Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios brasileiros, 2000”, na página 5, “Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios do Estado de Pernambuco, 2000”, na página 6 e “Índice de Desenvolvimento Humano do município do Recife, 2000”, na página 6, vamos entender o uso das cores nas representações cartográficas.
Na cartografia topográfica ou de base, o verde, por exemplo, é uma convenção geralmente utilizada para representar a vegetação e o azul, as superfícies aquáticas. Já na cartografia temática ou geográfica, como preferem alguns autores, é diferente. A variável visual cor é um elemento fundamental na comunicação cartográfica, uma vez que seu uso pode gerar diferentes tipos de percepção (ordem, seleção, associação).
Para facilitar a escolha das cores adequadas, os cartógrafos utilizam um círculo cromático, onde é possível identificar as cores vizinhas e opostas no espectro das radiações visíveis da luz. Para efeito da comunicação na cartografia temática, as cores representam diferentes intensidades e podem ser relacionadas com o círculo das cores, no qual algumas são consideradas quentes e outras, frias.



No entanto, apesar de existir uma seqüência lógica a partir da ordem do espectro magnético, muitas pesquisas verificaram que nem todas as pessoas conseguem estabelecer essa ordem na leitura dos mapas. Os estudos de Bertin demonstraram que a seqüência de cores por valor é mais eficiente do que a seqüência das cores espectrais para o leitor estabelecer uma ordem dos fatos representados nos mapas. Com base nesta espécie de “gramática das cores”, a Geografia pode fazer uso da linguagem da cartografia temática conforme o tipo de análise necessária. Assim:
- o tom ou matiz é eficiente para identificação de diferentes objetos ou feições (seletividade). Por exemplo, quando chamamos um objeto de amarelo, laranja ou verde, estamos identificando o seu tom;
- a luminosidade ou valor é a característica mais interessante da cor para o estabelecimento de uma seqüência dos dados (ordenação). Ela indica a quantidade de branco inserida em cada tom;
- a saturação é pouco eficiente sozinha, mas quando combinada com o valor da cor, auxilia na ordenação visual dos dados. Quanto maior a saturação, menor é a quantidade de cinza inserida numa cor.
            Agora, por que essa discussão é importante para o ensino de Geografia?
            Como já dissemos anteriormente, o conhecimento cartográfico mais difundido na escola brasileira é o do campo da cartografia topográfica ou de base. No entanto, os recursos de representação e comunicação da cartografia temática não podem ser esquecidos na análise do espaço geográfico. Ao desenvolvermos esses conteúdos, favorecemos a melhor compreensão dos conteúdos da disciplina e, ao mesmo tempo, possibilitamos um maior domínio da reflexão geográfica da realidade.
            Essa preocupação com a cartografia temática será enfatizada em outras séries. Na 6ª. série, esses são os primeiros passos na leitura de mapas temáticos no estudo de representações cartográficas elaboradas em escala monocromática, cuja principal variável é o valor das cores de mesmo tom, como é o caso dos mapas de IDH citados. Desta forma, trabalharemos uma das principais variáveis utilizadas na cartografia temática: o valor ou luminosidade. No caso dos mapas em análise, as cores utilizadas são de tom azul, variando a quantidade de branco inserida em cada uma delas (escala monocromática). Em vista do assunto dos mapas em análise, a intenção do cartógrafo foi a de comunicar uma seqüência do menor índice (tons mais claros) para os maiores índices (tons mais escuros).
            No primeiro mapa, a distribuição dos índices de desenvolvimento humano entre os estados brasileiros apresenta os melhores índices concentrados no sul do país, com exceção do Distrito Federal, e os piores índices no nordeste do país, com destaque para Maranhão, Piauí, Paraíba, Sergipe e Alagoas. Se agruparmos os estados brasileiros em regiões com IDH parecido, formamos três grandes grupos:
- os estados do sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, acrescidos de São Paulo e Rio de Janeiro;
- os estados do Brasil central: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, acrescidos de Minas Gerais e Espírito Santo e;
- os estados do norte: Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins.
            Nesse agrupamento, ficariam isolados o Acre, o Amapá e o Distrito Federal. Os estados com menores índices estão localizados no Nordeste: Maranhão, Piauí, Paraíba, Sergipe e Alagoas.
            O segundo mapa apresenta a delimitação das unidades federadas do país (estados) como o primeiro, mas um maior detalhamento porque representa os índices por municípios (cidades). Um caso interessante de ser observado é o de Minas Gerais: comparem o contraste, a situação dos municípios do sul e do Triângulo Mineiro com os municípios do norte do Estado. Enquanto os municípios do sul estão mais próximos da realidade paulista, os municípios do norte estão mais próximos da realidade nordestina, inclusive porque a região apresenta a continuidade de partes do sertão, havendo certa compatibilidade entre as condições físicas e sociais nas áreas analisadas.
            Se analisarmos essa situação com a do estado de Pernambuco (terceiro mapa), verificamos que os municípios pernambucanos aparentam maior homogeneidade (cores mais parecidas), principalmente na região da capital do estado, Recife, onde a situação é uma das melhores do Estado. Mas quando detalhamos o município, no quarto mapa, e a escala permite representar o espaço intraurbano de Recife, observa-se que a desigualdade de condição de vida também é grande.

6. Regionalização no tempo e no espaço

Vamos comparar a primeira divisão regional oficial do Brasil, de 1941, com a atual divisão regional. Os recortes regionais se transformaram em função das mudanças socioeconômicas e ambientais do território brasileiro e dos recursos das ações do governo.
Quais foram os critérios utilizados pelos autores para a elaboração dos mapas apresentados na página 18 do caderno do aluno? As propostas de divisão regional do Brasil de autores de diferentes épocas.
Como parâmetro de comparação, o atual mapa de divisão regional do Brasil, na página 20 do caderno do aluno, é bem diferente dos anteriores em relação ao número de regiões e na delimitação das fronteiras entre os estados brasileiros.
O quadro abaixo é um comparativo entre as diversas divisões regionais que o Brasil já teve e a atual:

Divisão regional
Semelhanças com a atual
Diferenças em relação a atual
Élisée Reclus (1893)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Apresenta um número maior de regiões
Critério de divisão com base na geografia física
Said Ali (1905)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com ênfase na geografia física
Estabelece uma região oriental agrupando a Bahia e Sergipe com os atuais estados da região Sudeste
Delgado de Carvalho (1913)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com base na geografia física insere São Paulo na região Sul e cria a região Leste com Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Sergipe
Conselho Técnico de Economia e Finanças (1939)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
Critério de divisão com base na geografia humana
Estabelece uma região sudeste e uma região Sul semelhantes aos limites atuais
Insere Maranhão e Piauí na região Norte
Conselho Nacional de Geografia (1941)
Estabelece como limite das regiões as fronteiras dos estados
Mesmo número de regiões
São Paulo faz parte da região Sul
Estabelece uma região Leste com Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo


Em alguns mapas, dependendo dos critérios adotados para inserir São Paulo, ora ele está na região Sul, ora na região Leste. O mesmo acontece em relação ao Maranhão e ao Piauí, que, dependendo do critério, são inseridos na região Norte ou na região Nordeste. São considerados, em alguns casos, as características naturais e, em outros, os aspectos econômicos e sociais.

As regiões naturais do IBGE
Fábio de Macedo Soares Guimarães, geógrafo e professor carioca, foi responsável pelo estabelecimento da primeira divisão regional oficial do Brasil, em 1941, na página 19 do caderno do aluno. Atuando no Serviço de Estatísticas Territoriais do Ministério da Agricultura, transferiu-se para o Instituto Nacional de Estatística com o grupo pioneiro formado por especialistas convidados para unificar o serviço estatístico federal, centralizando-o em um único órgão, o Instituto Nacional de Estatística – INE –, criado em 1934 e instalado em 1936. Especializado em Planejamento Regional, foi um dos fundadores do Conselho Nacional de Geografia (1937), órgão pertencente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Exercendo funções de chefia, coordenou as equipes que fizeram o levantamento de dados e a análise de propostas de unificação da organização regional do país. Para Fábio Guimarães e os geógrafos de sua época, a formação de regiões com base nas características naturais do território brasileiro seria o procedimento mais adequado, uma vez que a divisão teria um caráter mais duradouro se comparada com os elementos sociais e econômicos. Alguns aspectos ambientais semelhantes entre São Paulo e as unidades federadas do sul, como uma faixa do território com clima subtropical, predomínio do planalto ocidental e da bacia hidrográfica do rio Paraná levou a inserir SP na região Sul. A formação da região Leste com Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe foi com base no conceito de região natural, relacionado com as bacias de drenagem secundárias do litoral brasileiro e a bacia do São Francisco.
Hoje, a divisão está definida de acordo com o mapa da página 20:
- Maranhão é um estado nordestino, que possui parte de seu território na Amazônia Legal. Estas terras, apesar de localizadas na região Norte, já fizeram parte da região Centro-Oeste antes da formação do estado de Tocantins;
- Minas Gerais faz parte da região Sudeste, mas a situação socioeconômica dos municípios do norte do estado aproxima esta unidade federada da realidade nordestina;
- Das unidades federadas do Centro-Oeste brasileiro, o Distrito Federal apresenta os melhores indicadores sociais;
- Paraná, apesar de estar numa região diferente, é o que mais se assemelha a São Paulo, tanto por aspectos físicos quanto econômicos
- Mato Grosso do Sul é um estado localizado numa área de expansão da fronteira agropecuária, fortemente articulado com a economia do sudeste
- Espírito Santo já foi considerado da antiga região Leste, por apresentar características ambientais parecidas com o sudeste baiano
- Goiás perdeu 20% de suas terras no final da década de 1980, com a formação do estado de Tocantins, mas cresceu e se aproximou ainda mais economicamente da região Sudeste nos últimos anos
- Piauí é um dos estados brasileiros mais pobres, localizado numa zona de transição entre a caatinga e o cerrado.
“Velho Chico” é a denominação carinhosa da população ribeirinha ao rio São Francisco, também conhecido como o “rio da integração nacional”. Nasce em Minas Gerais, passa por Bahia, Pernambuco, Sergipe e desemboca no mar, em Alagoas. Minas Gerais pertence à região Sudeste e os demais, na região Nordeste (por isso é o rio da integração nacional, já que atravessa vários estados e duas regiões). O trecho navegável está localizado entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA). Este trecho encontra-se articulado com a malha ferroviária existente no país. Em Pirapora encontra-se um terminal da linha férrea que interliga Minas Gerais a Rio de Janeiro e uma linha férrea que interliga Juazeiro a Salvador. O vale do São Francisco pode ser considerado um importante eixo de integração regional, porque através do transporte intermodal, ainda que não utilizado em toda sua potencialidade, circulam mercadorias e pessoas que vivem no Sudeste e no Nordeste.

7. Outras formas de regionalização

O estudo do Brasil por complexos regionais (Amazônia, Nordeste, Centro-Sul) permite uma visão mais integrada do território brasileiro. De fato, muito mais do que uma divisão do país, as regiões brasileiras são resultantes de interações econômicas muito intensas entre diferentes lugares. Por exemplo, a população residente no estado de São Paulo é formada por pessoas que se deslocaram de várias partes do país e do mundo.

Região concentrada de Milton Santos
Uma nova proposta de regionalização do Brasil foi elaborada pela equipe de pesquisadores coordenada pelo professor Milton Santos. Para eles, o Brasil poderia ser dividido em quatro regiões: a Amazônia, o Centro-Oeste, o Nordeste e a que foi denominada de região Concentrada (abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
A porção do território nacional que forma a região Concentrada, proposta por Milton Santos, apresenta a maior concentração de atividades modernas, como indústrias e agricultura mecanizada. Outras características da chamada região Concentrada seriam a maior densidade demográfica e a presença de mais institutos de pesquisa, que geram novas tecnologias. Assim, o parâmetro definidor de tal divisão seria o grau de acumulação da ciência, da tecnologia e da informação pelo território nacional.
Evidências que justificam essa proposta:
- Os dois portos marítimos mais importantes para exportações de mercadorias são os portos de Santos (SP) e de Tubarão (ES);
- Os dois maiores aeroportos internacionais do país são os aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ);
- Os três estados brasileiros com a maior concentração industrial são os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais;
- As cidades brasileiras que possuem como área de atração todo território nacional são as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

8. Visão regional (uso de vídeo e som)

Para aplicar seus conhecimentos sobre a divisão política do território brasileiro, os contrastes socioeconômicos e a diversidade ambiental do país, vamos analisar o filme “Sobral – a mulher, a árvore, o chapéu”, da série Paisagens Brasileiras. O vídeo mostra a vida cotidiana da família de uma menina que vive no município de Sobral, no Ceará. O objetivo da aula é a aplicação dos conhecimentos para a interpretação da realidade documentada no filme. Registrem, durante a reprodução do vídeo, os seguintes aspectos:
- A que região brasileira pertence o lugar em que vive a menina?
- Observem os aspectos ambientais, culturais e econômicos.
- Qual a origem de Sobral?
- Como ocorreu o seu desenvolvimento econômico?
- Descreva as condições de vida da família e a divisão de trabalho entre seus membros.
- Aponte semelhanças e diferenças das condições de vida e trabalho dos membros de sua família.
            Vamos escutar a música “Notícias do Brasil”, de Milton Nascimento, prestar atenção na letra e responder as perguntas na página 27 do caderno do aluno:

Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal
A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul

Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar
O canto mais belo será sempre mais sincero
Sabe, tudo quanto é belo será sempre de espantar
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar

A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul
Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer desse lugar um bom país
Uma notícia está chegando lá do interior
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil
Não vai fazer desse lugar um bom país

(Repete Última Estrofe) 



3º BIMESTRE

As grandes paisagens naturais brasileiras

Neste tema, vamos estudar a enorme diversidade paisagística que existe no Brasil. Entretanto, como sabemos, parte importante do valioso patrimônio natural que os brasileiros receberam como herança já foi degradada. A Mata Atlântica, por exemplo, foi reduzida a menos de 10% de sua área de ocorrência original devido à exploração predatória à qual foi submetida nos últimos quinhentos anos. Na Floresta Amazônica, a devastação começou um pouco mais tarde, mas também já produziu estragos irreversíveis: calcula-se que 20% da floresta tenham sido intensamente degradadas. Dados do Ministério do Meio Ambiente estimam que apenas 61,1% da área original do cerrado esteja conservada, e que o bioma encontra-se fragmentado. No nordeste e no sul do país, em áreas outrora (antigamente) recobertas por caatingas e campos, aparecem extensas manchas de desertificação, provavelmente resultantes de manejo inadequado dos solos.
O Brasil é o país de maior biodiversidade do planeta: estima-se que pelo menos 70% de todas as espécies vegetais e animais conhecidos ocorram em seu território. De acordo com os Estudos de Representatividade Ecológica dos Biomas Brasileiros, a biota (conjunto de espécies) terrestre brasileira apresenta até 56 mil espécies de plantas superiores (árvores) já conhecidas (a flora mais rica do mundo), mais de 3 mil espécies de peixes de água doce, 517 espécies de anfíbios, 1.677 espécies de aves, 518 espécies de mamíferos e, provavelmente, 10 milhões de insetos.
Toda essa riqueza é resultante da dimensão continental e da grande variação geomorfológica e climática que caracterizam o território brasileiro, e que se expressam em uma imensa diversidade paisagística. A vegetação é comumente utilizada como elemento-síntese dessa diversidade.
Como o principal fator de diferenciação entre essas paisagens é a cobertura vegetal, que serve de referência para o mapa “Brasil: ecossistemas” na página 3 do caderno do aluno. Alguns termos na legenda são desconhecidos, segue uma síntese das características de cada um desses ecossistemas:
Amazônia: dominado pela floresta equatorial, extremamente rica em variedade de espécies;
Cerrados: dominados por vegetação arbustiva, de galhos retorcidos e cascas grossas, adaptada às características do solo e ao clima marcado pela alternância entre a estação chuvosa e a estação seca;
- Caatingas: dominado por espécies espinhosas, adaptadas à baixa quantidade de chuvas;
- Meio-Norte: dominado por espécies de palmeiras, tais como o babaçu e a carnaúba;
Pantanal: apresenta uma vegetação complexa, adaptada às inundações periódicas que ocorrem durante o período das chuvas;
Costas e floresta atlântica: vegetação costeira (praia, mangues e dunas) e floresta tropical, mais conhecida como Mata Atlântica, que abriga uma enorme diversidade de espécies vegetais;
Florestas semicaducifólia: florestas submetidas ao clima subtropical, mais homogênea que as florestas equatoriais e tropicais, perdem as folhas durante o inverno;
Pinheiros: floresta dominada por espécies de pinheiros, em especial a araucária;
Extremo Sul: colinas recobertas por vegetação campestre.
            As paisagens vegetais brasileiras estão divididas em formações florestais, formações arbustivas e herbáceas e formações complexas e litorâneas.
- as formações florestais são aquelas dominadas pela presença de árvores cujo caule forma um tronco que só começa a se ramificar bem acima do solo. Exemplo: Floresta Amazônica, Floresta Tropical / Mata Atlântica e Mata dos Pinhais;
- as formações arbustivas são dominadas por arbustos nos quais o caule é ramificado desde a base; as formações herbáceas são dominadas por espécies que não apresentam caule. Exemplo: Cerrado, Caatinga e Campos;
- as formações complexas mesclam características de todas as outras; as formações litorâneas apresentam os mais diversos aspectos, entre os quais se destacam os manguezais. No ambiente dos manguezais, onde os solos são salinos e pobres em oxigênio, as raízes saem diretamente do caule. Exemplo: Complexo do Pantanal e Vegetação Litorânea.
            A formação vegetal que ocupa a maior extensão do território brasileiro é a Floresta Amazônica. Já a formação vegetal que ocorre no estado de São Paulo é a Mata Atlântica, considerando sua formação original, já que ela foi bastante devastada.

A evolução da vegetação
Alguns mapas apresentam a evolução da vegetação no decorrer do tempo e, além da identificação das formações vegetais já trabalhadas, a legenda destes mapas introduz uma novidade: as "áreas antrópicas", ou seja, que já foram intensamente modificadas pela ação humana. As "áreas antrópicas" mapeadas são áreas que perderam a cobertura vegetal original e se transformaram em campos agrí­colas, em cidades ou mesmo em áreas de ex­ploração de madeira ou de recursos minerais. Isso significa que, quanto maior a extensão das áreas antrópicas, maior é o grau de de­vastação das paisagens naturais.
            Se compararmos a evolução das áreas antrópicas entre 1950-1960 e 1980-2000, verificamos que estas áreas só têm aumentado, devido à ampliação da ocupação humana, que transformou as paisagens naturais em paisagens rurais e urbanas. Entre 1950-1960, existiam poucas manchas de “áreas antrópicas” no cerrado, enquanto em 1980-2000 uma grande parte desta formação vegetal já havia se transformado em “áreas antrópicas”, resultado da construção de novas cidades e do avanço da agropecuária modernizada sobre essa formação vegetal. As formações vegetais que se encontram mais preservadas são a Floresta Amazônica (ou Floresta Equatorial) e a vegetação do Pantanal (ou Formação Complexa do Pantanal). Já as mais devastadas são a Mata Atlântica (ou Floresta Tropical Úmida de Encosta) e a Mata dos Pinhais (ou Floresta de Araucárias).

Os biomas
A vegetação é a base para iniciarmos o estudo das paisagens naturais brasileiras, por ser o elemento que apresenta a maior facilidade de identificação. Entretanto, uma paisagem natural é sempre resultante da combinação de diversos elementos da natureza. Em uma floresta equatorial, como a que ocorre na Amazônia, por exemplo, a vegetação exuberante é o elemento mais visível da paisagem, mas ela provavelmente não estaria lá se não fossem as chuvas abundantes, o calor que permanece o ano inteiro e os rios caudalosos.
Por isso mesmo, para estudar o nosso patrimônio ambiental, é preciso considerar as interações entre os seres vivos (plantas e animais) e os elementos não-vivos do ambiente (clima, relevo, solo e muitos outros). O conjunto dinâmico for­mado em determinada área geográfica pelas inte­rações entre os seres vivos e o seu ambiente natural constitui um ecossistema. Os biomas, por sua vez, são paisagens naturais de grandes dimensões, nos quais existem diversos ecossistemas contíguos e associados. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re­nováveis (Ibama), existem sete biomas no territó­rio brasileiro: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Campos Sulinos, Caatinga, Mata Atlântica e Costeiros.

Os domínios morfoclimáticos
Outra forma de estudar a natureza brasileira foi proposta pelo geógrafo Aziz Ab'Saber, que dividiu o território do país em seis grandes paisagens naturais, denominadas por ele de domínios morfoclimáticos, como observamos no mapa “Brasil: domínios morfoclimáticos” na página 13 do caderno do aluno. Cada um destes domínios se singulariza por uma combinação particular en­tre diversos elementos da natureza, com destaque para a vegetação, o clima e as formas do relevo.
Essa forma de classificação apresenta algumas diferenças em relação à que deu origem ao mapa “Brasil: biomas”, segundo o Ibama, na página 11 do caderno do aluno:
- enquanto os biomas identificados pelo Ibama foram sete, os domínios morfoclimáticos identificados por Aziz Ab’Saber foram seis;
- o Domínio das Araucárias corresponde a parte do bioma Mata Atlântica;
- já o bioma Pantanal corresponde a uma zona de transição entre os domínios Cerrado e Mares de Morros;
- a Mata das Araucárias é uma formação florestal e de acordo com o Ibama, trata-se  de um dos ecossistemas que compõem a Mata Atlântica. De acordo com Aziz Ab’Saber, trata-se de um domínio singular, pois a paisagem é mais homogênea (abrigando um número menor de espécies) e nela predo­mina a espécie conhecida como araucária;
- com relação ao Pantanal, ocorre o inverso: de acordo com o Ibama, trata-se de um bioma singular, ao passo que, no mapa dos domínios, ele aparece como região de transição, pois nele podemos encontrar trechos de florestas, de cerrados e de vegetação herbácea;
- a principal diferença entre as duas classificações: no mapa dos biomas, existe um limite demarcado entre eles, enquanto os domínios são separados por extensos corredores, denominados zonas de transição, nos quais elementos do cerrado e da floresta se mesclam, pois é impossível delimitar rigidamente a fronteira entre paisagens naturais.
Síntese das características de cada domínio:
- Amazônico: terras baixas florestadas equatoriais;
- Cerrado: chapadões tropicais interiores com cerrados e florestas-galerias;
- Mares de Morros: áreas mamelonares (arredondadas) tropicais-atlânticas florestadas;
- Caatinga: depressões intermontanas e interplanálticas semi-áridas;
- Araucária: planaltos subtropicais com araucárias;
- Pradarias: coxilhas subtropicais com pradarias mistas.

10. AS FLORESTAS BRASILEIRAS

Qual a dinâmica e quais os vetores responsáveis pela degra­dação das formações florestais brasileiras, em especial a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica? Quais as conseqüências desse fenômeno?
No caso da Mata Atlântica, a história da devastação começou com a chegada dos portu­gueses: somente no século XVIestima-se que o comércio de pau-brasil tenha provocado a derrubada de pelo menos 2 milhões de árvores. No decorrer da colonização, grandes extensões da Zona da Mata nordestina cederam lugar às plantations canavieiras. No século XIXfoi a vez de as fazendas de café se espalharem pelo vale do Rio Paraíba e pelos planaltos recobertos do oeste paulista, expulsando a floresta. Desde então, importantes núcleos urbanos e industriais ergueram-se nas áreas originalmente ocupadas pelos ecossistemas florestados. O agravamento dos processos erosivos nas encostas, agora des­nudadas, é uma das conseqüências mais eviden­tes do desflorestamento. Em áreas urbanas, o deslizamento das encostas em períodos chuvosos pode resultar em verdadeiras tragédias, já que milhares de famílias vivem nessas encostas.
O desmatamento na Amazônia, por sua vez, reflete o avanço da fronteira agropecuária. Os ecossistemas florestados dão lugar a pasta­gens ou campos de cultivo, principalmente de soja, processo acelerado pela abertura de novas estradas. Os vetores de ocupação configuram "arcos de devastação" no Tocantins, sul do Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia.
A retirada da vegetação acelera os processos erosivos, que podem causar sulcos no solo, e colabora com os deslizamentos de blocos de terra: as raízes das plantas fixam as partí­culas que formam o solo, reduzindo a intensidade de seu transporte pelas águas das precipitações. Quando observamos uma imagem (página 17 do caderno do aluno) que apresenta uma clareira (buraco) numa floresta, devemos associar com a devastação do ecossistema e com a perda de suas características originais.

A Amazônia em perigo
A Amazônia é grandiosa e singular, pois ocupa uma vasta extensão territorial e abriga uma enorme biodiversidade. Vamos ler o texto “A maior floresta do mundo” na página 20 do caderno do aluno.
O mapa “Amazônia: cenários de destruição”, na página 22 do caderno do aluno,mostra o estágio atual de desmatamento e retrata como estará a situação em 2050, caso sejam adotadas políticas públi­cas eficazes para controlar o desmatamento (cenário otimista) ou prossiga o ritmo de de­vastação registrado nas últimas décadas (cenário pessimista).

A devastação da Mata Atlântica
Quando os primeiros exploradores euro­peus chegaram à América, a Mata Atlântica cobria 15% do território que hoje pertence ao país chamado Brasil, distribuindo-se por 17 dos atuais Estados brasileiros: Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
A Mata Atlântica trata-se de um bioma formado por um conjunto de paisagens vegetais que inclui campos de altitude, mata de encosta, mata de planície costeira, manguezal e ambien­te marinho costeiro.
Atualmente, a Mata Atlântica está redu­zida a cerca de 7% de sua área original, mas ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas, ou seja, espécies que não existem em ne­nhum outro lugar.
Cerca de 110 milhões de pessoas vivem na área originalmente ocupada pelo bioma Mata Atlântica. Mesmo reduzido e fragmen­tado, este bioma ainda ocupa um papel essencial na vida dessas pessoas, na medi­da em que mantém nascentes e fontes fun­damentais para o abastecimento de água, atuam na regulagem do clima e protegem escarpas (face íngreme de uma montanha) e encostas de morros contra os deslizamentos.

11. Os cerrados do Brasil Central

Vamos investigar os cerrados brasileiros por meio de duas estra­tégias diferentes: a análise de uma carta aberta produzida pelos Povos do Cerrado e o resgate das possíveis relações entre a devastação deste bioma e o recente surto de febre amarela ocorrido no Brasil Central. Serão apresentadas as características essenciais do bioma e os principais vetores de sua recente degradação.

Cerrado: biodiversidade e degradação
O Cerrado, segundo mais extenso bioma brasileiro, abrange mais de um quinto da área do país. Trata-se de uma formação na qual o estrato de árvores e arbustos coexiste com o da vegetação rasteira for­mada essencialmente por gramíneas. No mosaico do Cerrado entrelaçam-se trechos de campos limpos (predominância de gramí­neas), campos sujos (gramíneas e arbustos), campos cerrados (predominância de arbus­tos) e cerradões (bosques com copas que se tocam e criam sombra, nos quais o estrato herbáceo-arbustivo é rarefeito). Ao longo das margens dos rios, onde a umidade do solo é maior, ocorrem matas ciliares.
Este bioma é condicionado por três fatores: o regime de chuvas, os tipos de solos e a ação do fogo. O clima tropical do Bra­sil Central exibe concentração de chuvas no verão e longa estação seca de inverno. Predominam solos ácidos e deficientes em nutrientes. As queimadas naturais são fre­quentes. Os cerrados do Brasil Central, em especial em chapadas planas, dotadas de solos profundos, captam e distribuem as águas, alimentando importantes bacias hidrográficas nacionais, tais como do São Francisco, do Araguaia/Tocantins, do Pa­raná e Amazônica.
Estima-se que o Cerrado abrigue cerca de um terço da biota brasileira e algo como 5% da flora e fauna mundiais. A sua flora, por exemplo, é a mais diversa entre todas as sa­vanas tropicais (que ocorrem na África, Ín­dia e Austrália). De acordo com o Ibama, ela abrange 774 espécies de árvores e arbustos, das quais 429 são endêmicas. A fauna tam­bém é bastante diversificada, mas com baixo grau de endemismo, pois a maioria das espé­cies é de ampla distribuição geográfica.
A valorização econômica do Cerrado intensi­ficou-se a partir das décadas de 1950 e 1960, com a construção de Brasília e a abertura de rodovias de integração nacional conectando o Centro-Oeste ao Sudeste e à Amazônia, e em 1970, com a chegada da agricultura moderna, que modificou extensamente as paisagens e in­tensificou os processos erosivos. Além disso, a irrigação extensiva e o alto grau de utilização de pesticidas, herbicidas e fertilizantes quími­cos comprometem os recursos hídricos.
Muitas pessoas acreditam que o desmatamento do Cerrado não tem grandes conse­quências ambientais, porque esse tipo de vegetação não é tão denso quanto a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. Não é bem assim: o Cerrado tem sua importância em termos de biodiversidade. O desmatamento do Cerrado implica também a aceleração de processos erosivos e a poluição das águas. Portanto, afeta de maneira significativa a qualidade de vida da população regional.

A voz dos Povos do Cerrado
A carta reproduzida na página 28 do caderno do aluno foi escrita pelos representantes dos Povos do Cerrado, reunidos no 2º. Encontro Nacional dos Povos das Florestas.
Entre os Povos do Cerrado, signatários da carta, destacam-se as populações tradicionais. O conceito de populações tradicionais é dê difícil definição, mas está fortemente relacio­nado à integração que essas populações esta­belecem com a natureza, com a qual convivem e da qual tiram seu sustento. Veja o significado dos
termos usados no texto para descrever as po­pulações tradicionais do Cerrado e da imensa gama de atividades realizadas por essas populações há muitas gerações:
- Geraizeiros: habitantes dos campos gerais, caracterizados por chapadas;
- Veredeiros: habitantes das veredas, áreas férteis que separam as chapadas, nas quais ocorrem as roças e a criação de bois;
- Quebradeiras de coco: mulheres que tiram seu sustento da quebra do coco babaçu e da venda de seus produtos, que podem ser usados na produção de óleo, carvão, ração animal, artesanato e cosméticos;
- Vazanteiros: pequenos agricultores que ocupam as margens dos rios;
- Pescadores artesanais: pescadores que usam técnicas artesanais, ao contrário do que ocorre na cha­mada pesca industrial;
- Retireiros: trabalhadores rurais responsáveis pela ordenha realizada em sítios e fazendas;
- Pantaneiros: moradores do Pantanal. Alguns deles exercem atividades tradicionais, tais como os boiadeiros, responsáveis pela condução do gado, os extrativistas, que coletam os frutos regionais, e os pescadores;
- Agroextrativistas: populações que combinam atividades agrícolas (tais como cultivo de árvores frutíferas) com atividades extrativistas.
Na carta aberta, os Povos do Cerrado demonstram uma forte relação com o ambiente natural no qual vivem.

Devastação ambiental e saúde: o caso da febre amarela
No início do ano 2008, houve no Brasil Central um surto de febre amarela, ampla­mente noticiado pela imprensa. De acordo com diversos especialistas, o aumento dos casos da doença guarda forte relação com a devastação do Cerrado. Vamos ler um trecho de uma reportagem sobre, publicada na Folha, na página 29 do caderno do aluno.

12. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação

A criação de Unidades de Conservação (UCs) é uma estratégia mundialmente adotada para a proteção da diversidade biológica. No Brasil, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), aprovado em julho de 2000, é uma das mais importantes diretrizes da agenda ambiental. O SNUC pretende regulamentar a criação e gestão das Unidades  de Conservação federais, estaduais e municipais no Brasil. Vamos explorar a distribuição geográfica das Unidades de Conservação Federais do Brasil e apresentar uma das mais importantes Unidades de Conservação sob a responsabili­dade do governo do Estado de São Paulo, o Parque Estadual da Serra do Mar.
Unidades de Conservação  (UCs) são áreas destinadas à proteção da biodiversidade e dos recursos naturais da devastação e da exploração predatória dos recursos presentes em seus ecossistemas. As UCs são criadas diante da necessidade de proteger o patrimônio ambiental brasileiro.
            As Unidades de Con­servação são muito importantes e suas paisagens naturais são protegidas por lei. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação regulamenta estas áreas.  Observe a tabela “Estado de proteção dos principais domínios ve­getacionais do Brasil”, na página 33 do caderno do aluno, e o mapa “Brasil: unidades de conservação federais”, na página 32 do caderno do aluno: O bioma Amazônia, de enorme extensão, ainda mantém grandes extensões da cobertura florestal original e, por esse motivo, é onde estão localizadas as maiores Unidades de Conservação Federais. A densidade populacional na região é relativamente baixa e nessas condições, torna-se viável demarcar Unidades de Conservação de dimensões que seriam impossíveis nas regiões mais densamente ocupadas.

Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável
SNUC separa as Unidades de Conserva­ção brasileiras em duas grandes categorias de manejo: as Unidades de Proteção Integral e as Unidades de Uso Sustentável.
As Unidades de Proteção Integral têm como objetivo geral a preservação da biodiversidade, a realização de pesquisas científicas e o lazer, sendo admitido apenas o uso indireto de seus recursos naturais.
As Unidades de Uso Sustentávelpor sua vez, têm como objetivo geral compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentá­vel de parcelas de seus recursos naturais.
A legislação não permite a prática de turis­mo em estações ecológicas ou a exploração de madeira em parques nacionais, estaduais ou municipais.
Dessa maneira, quando um grupo de biólogos está interessado em fazer pesquisa com espécies vegetais em áreas bem preservadas, procura uma estação ecológica. Uma família interessada em praticar ecoturismo e conhecer melhor a natureza da região onde vive, procura parques nacionais, estaduais e municipais. Já um grupo de empresários interessado em explorar madeira ambientalmente sustentável, procura florestas nacionais, estaduais e municipais.

O Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo
A en­trevista da bióloga Eliane Simões, gestora do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar, na página 35 do caderno do aluno, apresenta algumas características de uma das mais importantes Unidades de Conservação do Estado de São Paulo: o Parque Estadual da Serra do Mar.


4º BIMESTRE
                                                      Os movimentos Migratórios
O que é migração:

Os versos da canção de Chico Buarque poderiam caracterizar muitos brasileiros. Eles nos mostram que as sucessivas gerações nem sempre permaneceram num mesmo local. Nesse caso, eles realizaram uma migração ou um movimento migratório. Migração é o movimento populacional de uma localidade para outra.
Emigrantes e Imigrantes
Emigrantes: são as pessoas que se deslocam de seu lugar de origem
Imigrantes: em relação a área para onde se destinaram as pessoas
Diversos motivos levam as pessoas a migrarem:
- dificuldade econômica;
- guerras;
- perseguição politica ou religiosa;
- adversidades naturais como climas extremamente quentes ou frios;
- secas frequentes e prolongadas
O principal objetivo das migrações é a busca por melhores condições de vida.

Brasileiros fora do Brasil

Os E.U. A, são o pais com maior numero de imigrantes brasileiros (+-800 mil), seguido do Paraguai (+-460 mil) e Japão (+- 200mil)
Ate a década de 1970, a emigração brasileira era pequena. Foi entre 1975 e 1979 que se deu o primeiro grande fluxo migratório: brasileiros se dirigiram para o Paraguai em busca de terras com custo menor
Já a emigração de brasileiros para os Estados Unidos e Japão teve inicio em meados da década de 1980.

 O Brasil dos migrantes

Ao tratarmos dos fluxos migratórios, percebemos que o assunto das aulas de Geogra­fia diz respeito à história dos percursos de nossas famílias e da de amigos pelo território nacional. A mobilidade espacial da população está relacionada com os espaços de atração e repulsão, em função do maior ou menor grau de dinamismo econômico das diferentes regiões. Vamos discutir e analisar a dinâmica social e econô­mica do território brasileiro.

Os fluxos migratórios do ponto de vista do migrante
Os flu­xos migratórios são intensos e o Estado de São Paulo é um polo de atração populacional. Os deslocamentos populacionais entre os Estados nordestinos, de Minas Gerais e do Paraná para São Paulo eram mais comuns. Nas últimas décadas, ocorrem fluxos mais intensos da capital para o interior. Alguns fatores responsáveis pela migração são as condições de vida nos locais de origem e as novas oportunidades nos locais de destino.
Os mapas “Trajetória do trabalhador rural”, nas páginas 5 e 6 do caderno do aluno, foram elaborados a partir do relato de migrantes nordestinos, que resis­tem na condição de trabalhadores rurais em um país com intensas transformações no es­paço agrário. O mapa na página 5 representa um exemplo de situação vivida por muitos brasileiros, trata-se de tra­jetórias marcadas por um movimento pendular entre dois pontos definidos no espaço: de um lado, o espaço de residência da sua família, que vive em algum sítio mantido pela roça de subsistência; de outro, o espaço da produção agrícola comercial, para onde o trabalhador se dirige na época da colheita. O mapa da página 6 representa um exemplo de trajetórias marcadas pela permanência, quando os trabalhadores viajam sozinhos num primeiro momento, para depois, numa melhor oportunidade, promover a migração de seus familiares, fixando-se com a família no local escolhido para o destino.

Migrações externas e Internas

Migração externa: também denominada migração internacional, ocorre quando a população se desloca de um pais para outro
Migração interna: ocorre quando a população se desloca dentro de um mesmo pais

Migrações internas no Brasil:

Segundo o Censo 2000, no Brasil há 26 milhões de pessoas vivendo fora de seu estado de origem, isto é, do estado onde nasceram. O estado de São Paulo, tem o maior numero de migrantes nascidos em outra unidade da federação, em segundo lugar aparece o Rio de Janeiro, depois Paraná, Goiás e Minas Gerais, embora São Paulo continue sendo uma área de atração populacional, houve também significativas saídas de população desse estado. Elas se referem ao movimento de migrantes voltando a seus estados de origem, o que denomina a migração de retorno.

Migrações temporárias e pendular.

Temporária: é o deslocamento populacional que ocorre em determinados períodos do ano para locais em que há trabalhos temporários
Pendular: é o movimento diário de vai e vem da população que se desloca de uma localidade a outra para trabalhar ou estudar.

Migrações inter-regional e intrarregional

Inter-regional: é a saída de uma região para outra.
Intrarregional: pode ocorrer entre os estados da mesma região, em direção a algumas capitais ou da capital para o interior do mesmo estado.

Principais fluxos migratórios

QUESTIONARIO

1-     Cite três fatores que levam as pessoas a migrar
2-     Defina:
a)     Migração
b)    Imigração
c)     Migração interna
d)    Migração externa
e)     Migração temporária
f)     Migração pendular
g)    Migração intra-regional
h)     Migração inter-regional
3-     Segundo o CENSO 2000, quantas pessoas vivem fora de seu estado de origem?
4-     Brasileiros, se dirigiam ao Paraguai entre 1975 e 1979 estavam em busca de que?
5-     Nasci na cidade de Manaus (AM), aos cinco anos fui morar em Jaburu (AM) com 15, fui para Rio Branco, aos 20 fui estudar em São Paulo, onde moro e trabalho, moro na grande São Paulo e trabalho no interior, fazendo uma viagem diária para trabalhar e depois voltar para casa. Identifique os movimentos migratórios apresentados no texto



Os fluxos migratórios
Observe as infor­mações da coleção de mapas “Migrações internas no Brasil, 1995-2000”, na página 8 do caderno do aluno. As setas representam as migrações entre as regiões (inter-regional) e os círculos mostram as migrações internas em cada região, como mudança de cidade (intra-regional). Atenção para a direção e a espes­sura das setas. A direção identifica as regiões de saída (repulsão) e de chegada (atração) de imigrantes, enquanto a espessura é proporcio­nal ao tamanho dos fluxos. Entre 1995 e 2000, o fluxo de migração inter-regional (entre regiões) mais intenso teve origem na Região Nordeste para as demais regiões (em verde, para a Região Norte, em marrom para a Região Centro-Oeste e a maior, em vermelho, para a Região Sudeste). O fluxo mais intenso de migrantes com destino à Região Sul partiu da Região Sudeste (seta lilás). A maior parte dos migrantes que deixou a Região Sudeste partiu para a Região Nordeste.
O fenômeno na coleção de mapas “Migrações internas no Brasil, 1995-2000” é uma represen­tação geral dos fluxos populacionais e os dois primeiros ma­pas “Trajetória do trabalhador rural” são representações de trajetórias individuais, mas que revelam maneiras diferentes de ser migrante.

14. As diferenciações no território

Ana­lisamos a intensa mobilidade espacial da popu­lação brasileira por meio de diferentes tipos de fluxos migratórios existentes entre regiões estagnadas e outras mais dinâmicas. O impacto das inovações tecnológicas no reordenamento territorial do país envolve mudanças nas relações en­tre o campo e a cidade e também na hierarquia urbana.
Vamos ler dois textos: “As férias na casa da avó materna”, página 12 do caderno do aluno, e “A mudança para o interior”, na página 13. Vamos identificar o percurso da família de João pelo território nacional, as razões da mudança da Bahia para Minas Gerais e, depois, de Minas Gerais para São Paulo, o que mudou na vida dele e na sua cidade de residência ao longo do tempo (intervalo de 30 anos - início dos anos 1970 ao final da década de 1990). Quais as vantagens e desvantagens de viver em diferentes cidades? Quais as características de cada época?
O que motivou essas mudanças? A oportunidade de emprego.
Entre 1970 e 1990, muita coisa mudou:
1.   Mudança de conectividade entre as cida­des e o encurtamento das distâncias por decorrência das inovações tecnológicas:
no começo da década de 1970, não havia o acesso à internet (foi implan­tada em meados da década de 1990) e a comunicação por satélite não cobria todo o território nacional;
- o desenvolvimento da infraestrutura de transporte tornou o acesso entre as cidades mais rápido.
2.   Expansão do mercado de produtos indus­trializados e da sociedade de consumo por meio da rede de hipermercados e de shopping centers.
3.   Mudança nas relações entre as cidades pequenas e médias com a metrópole em decorrência dos aspectos anteriores.

A distribuição da infraestrutura
As inovações dos últimos 30 anos altera­ram os conteúdos tecnológicos do território brasileiro, revigorando as possibilidades de produção com os novos recursos da informa­ção, da ciência e da técnica. Daí a necessidade de introduzir gradativamente no ensino de Geografia as inúmeras combinações no meio geográfico decorrentes do acúmulo desigual de ciência e técnica.
Existe um maior acúmulo de infraestrutura e tecnologia nas unidades federadas do Centro-Sul do país, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro. Qual é o impacto desse acúmulo desigual das inovações na rede urbana brasileira?

As cidades brasileiras
As cidades constituem, no momento atual, um elo entre o local de residência e as relações sociais e econômicas cada vez mais globalizadas. As cidades situadas na porção do território com maior acúmulo das inovações tecnológicas têm melhores condições de exercer esse papel (de cidade globalizada).
O mapa “Brasil: população urbana, 2000”, na página 16 do caderno do aluno, apresenta a distribuição da população urbana pelo território nacional e chama atenção para os círculos proporcionais indicados na legenda. Percebemos a relação entre o sistema viário e a distribuição da população pelo território: onde temos estradas (sistema viário), temos população, mesmo em pequena quantidade, como nas rodovias brasileiras pavi­mentadas, especialmente nas Regiões Norte e Centro-Oeste ou mesmo próximo ao Rio Amazonas, importante hidrovia da Região Norte.
Porém, as capitais com mais conteúdo de ciência e tecnologia são as localizadas no sul e sudeste (onde aconteceu o desenvolvimento em maior escala em todos os sentidos): São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Curitiba e Porto Alegre.

15. A distribuição da atividade industrial no Brasil

Nesse capítulo, o tema proposto é a concentração e a descentralização do espaço industrial. A al­teração entre o campo e a cidade e a intensa mobilidade espacial da população foram refor­çadas pelo processo de industrialização e pelo papel ativo do Estado brasileiro na integração econômica do território nacional. O processo de interiorização foi impulsio­nado pela construção de Brasília e pelas políticas públicas de incentivo à atividade industrial, como a criação da Zona Franca de Manaus. O padrão desigual de produção científica e técnica reforçou o papel desempe­nhado pela cidade de São Paulo como centro polarizador da economia nacional.
Vamos di­ferenciar os tipos de indústria e compreender a importância de cada uma delas na compo­sição do Valor da Transformação Industrial (VTI), bem como o caráter indutor da inova­ção tecnológica no dinamismo do setor. Podemos começar, avaliando a diversidade de produtos industriais, presentes em nossa vida cotidiana, classificada na tabela “Classificação Nacional das Ativida­des Econômicas (CNAE)” adotada pelo IBGE, na página 18 do caderno do aluno.

A descentralização da atividade industrial
            Apesar da concentração da atividade industrial em São Paulo, existem vários municípios brasileiros com expressiva atividade industrial. Se observarmos nas embalagens de produtos que temos em casa, conferimos que eles são produzidos em vários municípios, em estados diferentes, apesar da concentração ser em São Paulo.

A concentração industrial brasileira
Apesar da existência de unidades fabris em todas as regiões brasileiras e a despeito da descen­tralização de algumas cadeias produtivas, como a do setor de vestuário e de calçados ou a de veícu­los automotores, a participação do Estado de São Paulo na produção industrial brasileira é a mais alta do país. Em razão do forte conteúdo de ino­vação tecnológica e do ganho de produtividade ocorridos na indústria paulista, e independente da descentralização industrial, estudos prevêem que a concentração das cadeias de comando da pro­dução em São Paulo será ainda maior na década de 2010.
O mapa “Brasil: localização de unidades fabris, 2000”, na página 24 do caderno do aluno,  nos revela que, apesar de uma forte concentração das unidades fabris na região Centro-Sul do país, é possível identificar estabelecimen­tos industriais em todas as unidades da federação.
No mapa “Brasil: localização de unidades fabris que inovam e diferenciam produtos, 2000”, na página 25 do caderno do aluno, foram localizadas apenas as unidades fabris com alta tecnologia. Essas empresas são aquelas que investem muito em pesquisa e no desenvolvimento de produtos diferenciados, modernizam o seu maquinário, a gestão empresarial e a logística e/ou pos­suem seu próprio departamento de marketing e gerenciamento de marcas.
Comparando os últimos dois mapas, identificamos as áreas industriais do país com maior capaci­dade de inovação e produção tecnológica: o Es­tado de São Paulo, particularmente nas pro­ximidades da capital, Rio de Janeiro (RJ), o entorno de Belo Horizonte (MG), de Curitiba (PR), de Porto Alegre (RS), entre outros.
Vamos analisar o impacto desse conteúdo técnico na produção do Valor da Transformação Indus­trial (VTI), valendo-se dos dados da tabela “Distribuição geográfica das AIEs, 2000”.
As áreas industriais estratégicas (AIEs) foram selecionadas dos municípios de cada região do país que apresentam unidades fabris com inovação tecnológica (primeira e segunda coluna). Por exemplo, no Sul temos 5 AIEs que englobam 66 municípios. A participação no Valor da Transfor­mação Industrial (VTI) refere-se à porcentagem da riqueza gerada pela indústria de cada área no valor total do país.
As áreas industriais estratégicas estão localizadas em apenas 254 municípios brasileiros (de um total de aproximadamente 5 500); esse pequeno número de municípios concentra 75% do Va­lor da Transformação Industrial (VTI) do país, e a cidade de São Paulo e seus municí­pios vizinhos (120) formam a área de maior destaque, concentrando 42% do VTI.



16. Perspectivas do espaço agrário brasileiro

A organização do espaço agrário brasileiro pode ser relacionada com a industrialização do país e as mudanças ocorridas na relação entre o campo e a cidade. A mobilidade espacial da população pode ser associada às mudanças da rede urbana e às interações entre as áreas de maior dinamismo e outras, marcadas pela estagnação econômica.
Para a aber­tura do tema, vamos analisar os mapas “Brasil: pecuária (bovinos),1995” e “Brasil: pecuária (bovinos), 2006”, nas páginas 28 e 29 do caderno do aluno, re­lacionados com a ocupação do território brasi­leiro pela pecuária, em 1995 e em 2006. Identificamos as transformações que ocorreram na ocupação do território brasileiro no intervalo de dez anos: ocor­reu a expansão da pecuária em direção à Amazônia, particularmente com destaque para Rondônia e sul do Pará. Associado a expansão, o aumento do desmatamento da Floresta Amazônica e a diminuição do trabalho na terra.
  

O aumento da produtividade rural
O aumento da produtividade do estabeleci­mento rural por meio da incorporação de técni­cas mais eficientes, da mecanização e do uso de insumos agrícolas é um mecanismo importante para analisar o espaço agrário brasileiro.
Um gráfico que podemos anali­sar é o “Brasil: evolução do pessoal ocupado e do número de tratores”, na página 30 do caderno do aluno. Comparem a evolução do número de tratores e do número de pessoal ocupado nos estabelecimentos rurais do Brasil entre 1970 e 2006. Esse tipo de gráfico (gráfico de linhas) é uti­lizado para mostrar a mudança de uma variável com referência à outra. O dado de cada ano é localizado no cruzamento das variáveis dos eixos (ano e número de pessoas ou tratores); a linha é a junção dos pontos assinalados. Não é difícil perceber que ocorreu no Brasil um movimento inversamente proporcional entre o crescimento do número de tratores e a diminuição de pessoal ocupado nas atividades agropecuárias.
            Tanto para a agricultura como para a pecuá­ria, as transformações começaram a ocorrer na década de 1980, o que se refletiu nos da­dos a partir da década de 1990. Diferentemente da pecuária, que aumentou sua produtividade mesmo com perda de área de pas­tagem, a agricultura continua ampliando a área cultivada, além do ganho de produtividade.

Os conflitos no campo
A dinâmica territorial do país envolve as relações sociais entre diferentes segmentos da sociedade brasileira. Vamos ler breves relatos da vida de alguns brasileiros nas páginas 35 e 36 do caderno do aluno. Os relatos representam posições parciais de cada um dos segmentos envolvidos nessa dinâmica: um empresário do campo, um latifundiário, um trabalhador rural sem-terra, um bóia-fria e um pequeno produtor e em qual área do país ele poderia viver. Uma vez feita a correspondência entre as falas e o sujeito social, escreva quem está falando.
Possíveis relações en­tre eles podem existir: o bóia-fria se relaciona com o empresário do campo porque trabalha em sua lavoura, na colheita da cana; o empresário do campo pode acabar comprando as terras do pequeno produtor para ampliar sua área cultivada; esse pequeno produtor, sem suas terras, poderá se transformar em um bóia-fria, morando na cidade e trabalhando temporariamente na colheita agrícola. Várias outras possibilidades poderiam ser imaginadas.
Nessas relações, a re­sistência de algum(uns) dos sujeitos sociais ao relacionamento proposto pode existir. Por exemplo, se o pequeno produtor rural não tivesse interesse em vender suas terras ou o latifundiário impe­disse a ocupação de sua fazenda pelos traba­lhadores rurais sem-terra, o que aconteceria? A diversi­dade de interesses dos trabalhadores que vi­vem das atividades rurais é um dos motivos para a origem dos conflitos no campo brasileiro.


1ª Atividade para entregar:
1-       Leitura de texto: ler os textos abordados em sala de aula
2-      Elaborar 4 perguntas com as respostas de cada texto
3-      Listar as palavras que não entenderam
4-      Redigir um texto abordando os principais pontos de cada tema trabalhado





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