quarta-feira, 17 de julho de 2013

OS EFEITOS DA INDUSTRIALIZAÇÃO NO MEIO AMBIENTE- MEU TCC

                                              INTRODUÇÃO


            A urbanização é uma tendência definitiva do homem, pois a cidade é o meio ambiente construído e idealizado para suprir diversas necessidades sociais. Com o mundo globalizado em que vivemos hoje, não se consegue conceber a vida sem as facilidades que os centros urbanos oferecem. Porém, junto ao desenvolvimento tecnológico, é cada vez maior a preocupação com a preservação do ambiente natural, uma vez que a urbanização pode gerar problemas expressivos com elevados níveis de complexidade de degradação ambiental.
            Um dos problemas urbanos é o crescimento populacional, que gera expansão da cidade e deficiência dos sistemas urbanos, como vias de circulação sub-dimensionadas gerando trânsito congestionado, solos impermeáveis à vazão da chuva causando erosões, deslizamento de terras e inundações, aumento de efluentes orgânicos poluindo rios, entre outros problemas.
            É uma tendência atual as maiores cidades do mundo se concentrarem em países do Terceiro Mundo. E esse crescimento das cidades mais pobres, onde a desigualdade social é maior, traz consigo o problema da falta de um bom planejamento urbano para controlar o crescimento das cidades, o que prejudica o meio ambiente de uma forma brutal. A falta de um controle e a despreocupação por parte dos administradores municipais acabam deixando as cidades se auto-destruindo, gerando desconforto ambiental urbano, edificações insalubres, degradação da paisagem, poluição, entre outros problemas.
            Isso porque a cidade é comparada a um organismo vivo que consome recursos naturais para sobreviver, como água, combustível, oxigênio, energia e alimentos, ao mesmo tempo em que excreta despejos orgânicos e gases poluentes. O sistema ecológico urbano tende, portanto, a se tornar crítico com o decréscimo da complexidade natural e o aumento crescente de elementos e estruturas “artificiais”.
            Diante dessa complexidade em conjunto com os problemas ambientais, surgem os problemas econômicos. Aos primeiros sinais de queda de produção por esgotamento de matéria-prima e diminuição da qualidade de vida, as questões ecológicas relacionadas ao ambiente urbano ganharam forças e, na década de 50 o conceito de desenvolvimento sustentável se impulsionou nos países desenvolvidos.
            Este conceito traz uma alternativa para o desenvolvimento das cidades, visto que os danos que o crescimento econômico e a industrialização causaram nas últimas décadas ao meio ambiente foram enormes. Ele tem como princípio a interação de crescimento econômico e conservação da natureza, que pressupõe a expansão econômica permanente, com melhorias nos indicadores sociais e na preservação ambiental.
            Assim, hoje já se pensa em reciclagem urbana, mantendo um diálogo maior entre a cidade e o meio-ambiente. A sistematização do uso e ocupação do solo urbano é, neste caso, um instrumento importantíssimo na ordenação do crescimento das cidades e na regulamentação das implantações de edificações.
            Cabe aos setores públicos a boa gestão urbana. Eles possuem instrumentos normativos e legais que devem ser adequados às características locais e, até mesmo, globais, já que a conscientização da preservação ambiental está cada vez mais implícita nos ideais de cidade saudável e desenvolvida economicamente.
            Pretende-se, com esta revisão literária, verificar a validade do Planejamento Urbano, tanto na esfera pública como privada, na melhoria da qualidade sócio-ambiental. Nesse sentido, será abordado a necessidade de implementar políticas de desenvolvimento sustentável, inclusive nas empresas particulares, que também são responsáveis pelos impactos sócio-ambientais, a fim de que possa ser garantido o crescimento econômico, sem prejuízo ao meio ambiente.
            Um dos problemas urbanos é o crescimento populacional, que gera expansão da cidade e deficiência dos sistemas urbanos, como vias de circulação subdimensionadas gerando trânsito congestionado, solos impermeáveis à vazão da chuva causando erosões, deslizamento de terras e inundações, aumento de efluentes orgânicos poluindo rios, entre outros problemas.
            Nesse sentido, questiona-se: quais os efeitos da industrialização sobre o meio ambiente?
            Acredita-se que o atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a ideia do Desenvolvimento Sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, à redução da pobreza no mundo.
            Supõe-se que é necessário associar o desenvolvimento econômico dos centros urbanos com a proteção ao meio ambiente.
            Acredita-se que as ações que dizem respeito à responsabilidade social das empresas, não estão sendo cobradas por meios de instrumentos legais, mas, através da pressão dos grupos sociais ou da própria comunidade, obrigando as empresas a definirem não só objetivos econômico-financeiros, como também, objetivos de caráter social.
Acredita-se que na medida em que as instituições sociais começam a exigir mais transparência e responsabilidade social por parte de todas as empresas, futuramente, teremos organizações realmente comprometidas com seu meio ambiente.
            Supõe-se que o exercício da cidadania empresarial assegura, a qualquer empresa, ganhos e benefícios diversos, como valorização da imagem, aumento nas vendas, difusão da marca, fidelidade dos clientes e retorno para os acionistas pelo desenvolvimento social da comunidade.
O estudo se justifica e se faz relevante, pois é uma tendência atual as maiores cidades do mundo se concentrarem em países do Terceiro Mundo. E esse crescimento das cidades mais pobres, onde a desigualdade social é maior, traz consigo o problema da falta de um bom planejamento urbano para controlar o crescimento das cidades, o que prejudica o meio ambiente de uma forma brutal. A falta de um controle e a despreocupação por parte dos administradores municipais acabam deixando as cidades se autodestruindo, gerando desconforto ambiental urbano, edificações insalubres, degradação da paisagem, poluição, entre outros problemas.
            Este conceito traz uma alternativa para o desenvolvimento das cidades, visto que os danos que o crescimento econômico e a industrialização causaram nas últimas décadas ao meio ambiente foram enormes. Ele tem como princípio a interação de crescimento econômico e conservação da natureza, que pressupõe a expansão econômica permanente, com melhorias nos indicadores sociais e na preservação ambiental.
           A evolução urbana acontece em função do crescimento vegetativo da população, da migração e também da incorporação de áreas rurais aos limites urbanos.
           Segundo ARAUJO (1979, p.66):

A partir da década de 40, o processo de urbanização acelera-se no Brasil, devido ao aumento das atividades industriais nas cidades. Já na década de 60 a modernização no campo amplia a concentração fundiária e expulsa a população rural para as cidades.


           Desde então a urbanização acelerada leva as cidades a se unirem formando grandes aglomerados que concentram pessoas e a produção de bens de serviços. A transformação dessas áreas em regiões metropolitanas tem o objetivo de favorecer iniciativas de planejamento administrativo comum.
           O urbanismo visa definir as “funções chaves” da vida urbana como: organizar a cidade em zonas exclusivas e homogêneas de atividades, concentrar a função do trabalho em relação a áreas residenciais, criar uma cidade mais verde e impor sistemas de circulação de tráfego.
           Logo, as cidades são organizadas em âmbitos de influências institucionais, isto é, áreas da cidade, onde determinada instituição predomina nas atividades cotidianas, a distinção desses âmbitos se faz por uma distribuição espacial costumeira das distribuições urbanas, que já ocorre desde o início da colonização, seguindo os modelos da península Ibérica. Assim as instituições principais, Igreja e Estado, ocupam a praça, a do comércio, finanças e manufaturas, localizam-se a sua volta, no centro, e as moradias circundam essa área formando os bairros residenciais. Entretanto a praça, o centro e os bairros são tanto categorias espaciais quanto âmbito de atividades sociais determinadas; em um caso como no outro, distinguem-se entre si em função da divisão territorial instituída.
O planejamento urbano adequado de uma cidade condiciona a qualidade futura de seus habitantes com relação ao ambiente e suas necessidades em termos de:
            Espaço para atividades (comerciais, industriais, serviços, etc...);
            Demanda de água;
            Demanda de energia elétrica;
            Demanda por habitações;
            Demanda por espaços naturais;
            Demanda por números de veículos (dimensionamento do sistema viário);
            Produção de resíduos, esgotos sanitários industriais, resíduos tóxicos.
           Porém, mesmo uma cidade tendo seu planejamento adequado, sua urbanização, suas políticas ambientais, os problemas continuam surgindo e ou aumentando, dependendo dos interesses de cada governo.
           Desses problemas, no entanto, o modelo de crescimento econômico acaba que limitado e incompatível com a finitude dos recursos do planeta e para evitar um provável colapso dos sistemas naturais é necessária a redefinição da ideia de progresso.
           Hoje se intensificam as lutas para a preservação do meio ambiente com a criação de uma série de organizações governamentais e não governamentais, ou partidos políticos, os chamados partidos verdes.

         “O modelo alternativo de crescimento econômico proposto é o desenvolvimento sustentável que pressupõe a utilização de sistemas mais racionais de exploração da natureza, baseados em tecnologias não predatórias que preservam o equilíbrio ecológico.” (BARBIERI, 1998, p.76).


           O crescimento desordenado e a expansão dos centros urbanos e da atividade industrial ocasionam uma série de impactos no meio ambiente que prejudicam as condições de saúde da população urbana, sem falar nos resíduos tóxicos lançados na atmosfera – resultante da quantidade excessiva de veículos – que afetam a qualidade do ar.
           Contudo são criadas diretrizes urbanísticas para uma expansão urbana, onde explicitam as orientações gerais para o comportamento do poder público, da população, do meio ambiente e das atividades econômicas. Procura-se incorporar os avanços no conhecimento da cidade real e o conceito de planejamento.
Assim é necessário atualizar as necessidades principais e futuras do município para tornar cada dia mais promissor o espaço urbano, pois ansiamos pela tecnologia, pela praticidade, mas não vivemos sem a natureza. Afinal, atrelar o desenvolvimento acelerando com a melhoria da qualidade de vida não é tarefa fácil.

Segundo BECKER (1997, p.116):

No mundo do artifício a palavra de ordem é o civilizar. O mundo do artifício é aquele no qual imperam os modos de ser do homo faber, absolutamente onívoros e onipotentes. Esta presença aniquilante e absorvente, em relação às demais formas de vida, é que tem causado a paulatina exaustão ambiental do planeta.

               Não importa o que seja ou o que haja pela frente, o princípio que move a humanidade civilizadora é o de que a natureza está posta para servi-la, ainda que isto represente sua plena exaustão decorrente do mau uso dos recursos disponíveis.
            Desleixo, displicência, menosprezo e extrativismo predatório são palavras que combinam entre si. Tudo isto está muito presente na memória e na consciência populares. Isto é de fácil constatação e percepção no uso quotidiano da linguagem, pois é de costume dizer-se: “Daqui para frente é só mato!”, “Daquele lado não há nada além de mato!”, “Tudo isto nada mais era antes do que mato!”. Na palavra ‘mato’, grife-se, está escondido o desprezo pelo mundo natural, decorrência direta da ignorância humana, que qualifica, por vezes, ecossistemas complexos como a Mata Atlântica, o cerrado, a floresta Amazônica, com um único termo (mato) que trata de modo indiferente e homogêneo a biodiversidade e a riqueza naturais.

            Segundo BELLIA (1996, p.65):
           
Este espírito ‘colonizador’ humano confunde empreendedorismo com destruição, exploração com exaustão, movendo-se de forma preguiçosa quanto à consciência ecológica. Em nome da civilização, tudo está autorizado. É com este espírito que o que é urbano tornou-se antônimo do que é natural, e não do que é rural, e isto porque o urbano converteu-se no símbolo do artificialismo que expropria toda e qualquer manifestação natural. Eis o retrato das metrópoles, conurbações, megalópoles e grandes centros urbanos mundiais. Nestes ‘centros de humanidade’ vive-se em meio ao concreto, esbarra-se com estruturas metálicas, caminha-se sobre o asfalto, num universo de onde foram expulsas as formas naturais, como se fizessem parte de uma outra dimensão, a do não civilizado, a do rural, a do não-urbano. Por isso, o primeiro passo para civilizar um local, uma região, uma área, é desfigurar lhe completamente a configuração natural, para que a ela se confira uma estética humana, um ‘toque especial’, para que se dê vazão ao projeto de um urbanista ou paisagista.

            O que há de curioso neste ser humano ‘colonizador’ é seu esdrúxulo amor pelo que é raro. A raridade é algo que cultua e contempla com fervor. Se a natureza, em todas as suas formas, era abundante, torna-a escassa, para que seja rara, e, portanto, valiosa. Então, nos redutos onde a escassez está preservada: cobrem-se taxas ambientais; construam-se casas milionárias; edifiquem-se empreendimentos e ecoresorts de luxo, disponíveis para poucos; pague-se por caminhadas na floresta; desloquem-se pesquisadores e bases científicas para estudo da região; cerquem-se os limites do terreno para que não haja invasões... De todas as incoerências, esta parece ser a mais terrível.
            A onda progressista introduzida pela grande depuração técnica deflagrada na modernidade, pela disseminação do espírito mercantilista e burguês a partir do século XIV, pela industrialização ocorrida no século XVIII, pela sedimentação do cientificismo positivista do século XIX, bem como pela revolução tecnológica e atômica do século XX, é responsável por este processo de desertificação e extermínio das formas de vida, convertidas em repasto para o sustento de massas humanas insaciáveis e geometricamente progressivas.

            Segundo BRESSAN (1996, p.123):

Assim é que foram erigidos os limites das selvas de pedra. Aos poucos, a natureza foi-se reduzindo ao cativeiro: animais se observam nos zoológicos; os rios limpos estão apenas nas fotos antigas, a vegetação está restrita aos parques e reservas; de determinadas espécies animais extintas só se encontram traços e vestígios embalsamados e empoeirados em museus.

            Muito já se fez e se desfez em matéria ambiental, de modo que se pode dizer que a questão se apresenta como algo sem solução imediata. Somente a ampla conscientização, por meio da educação ambiental, pode aparecer como princípio de mudança e recuperação para um futuro promissor.
            O Brasil passou por dois fenômenos que merecem destaque quando se fala de ambientes urbanos: a rápida industrialização, experimentada a partir do pós-guerra, e a urbanização acelerada que se seguiu. No curso desse processo, reflexo das políticas desenvolvimentistas então vigentes, uma série de regras de proteção ao meio ambiente e ao cidadão foram desrespeitadas ou mesmo desconsideradas.

            Segundo BURSZTYN (1993, p.124):

Sem o sucesso e a estabilidade econômica de países como os Estados Unidos, Japão ou Alemanha, somente nos anos 70 o Brasil começou a voltar-se para as questões ambientais, de saneamento e de controle da poluição, logrando seu primeiro intento com o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), ao conseguir abastecer com água tratada cerca de 80% da população urbana brasileira. A partir de então, os grandes problemas ambientais do País vêm sendo identificados e controlados, porém nem sempre com a velocidade e intensidade que merecem.

            Quando se pensa no meio ambiente urbano no Brasil, não se pode esquecer o que ocorreu com a cidade de Detroit (EUA), por exemplo, que durante as décadas de 20 e 30 era o município mais poluído do mundo e hoje é um modelo de controle ambiental. O auge do desastre se deu para os norte-americanos em outra época, quando construíram uma mentalidade voltada para questões relacionadas ao meio ambiente. É exemplo também para todo o mundo o esforço feito na Grã-Bretanha para recuperar o Tâmisa. Os nossos Tâmisas começam a ser percebidos e tratados somente agora.

            De acordo com CAIRNCROSS (1992, p.171):

Desde os anos 50, a formação das cidades brasileiras vem construindo um cenário de contrastes, típico das grandes cidades do Terceiro Mundo. A maneira como se deu a criação da maioria dos municípios acabou atropelando os modelos de organização do território e gestão urbana tradicionalmente utilizados, e mostrou-se inadequada. O resultado tem sido o surgimento de cidades sem infraestrutura e disponibilidade de serviços urbanos capazes de comportar o crescimento provocado pelo contingente populacional que migrou para as cidades.
Entre as décadas de 50 e 90, a parcela da população brasileira que vivia em cidades cresceu de 36% para 75%, sendo que em 1991, nove regiões metropolitanas possuíam mais de 1 milhão de habitantes cada. Não obstante os evidentes desequilíbrios ambientais decorrentes desse processo, os espaços urbanos não receberam, na mesma proporção, a devida atenção por parte da mídia e dos governantes.

            Quando se trata do urbano, a complexidade do que se denomina problemas ambientais exige tratamento especial e transdisciplinar. As cidades não são apenas espaços onde se evidenciam problemas sociais. O próprio ambiente construído desempenha papel preponderante na constituição do problema, que transcende ao meio físico e envolve questões culturais, econômicas e históricas.
            Os grandes assentamentos urbanos concentram também os maiores problemas ambientais, tais como poluição do ar, sonora e hídrica; destruição dos recursos naturais; desintegração social; desemprego; perda de identidade cultural e de produtividade econômica. Muitas vezes, as formas de ocupação do solo, o provimento de áreas verdes e de lazer, o gerenciamento de áreas de risco, o tratamento dos esgotos e a destinação final do lixo coletado deixam de ser tratados com a prioridade que merecem.
            Nas metrópoles com grande concentração industrial exacerbam-se os problemas de degradação ambiental, trânsito, enchentes, favelização e assentamentos em áreas inundáveis, de risco e carentes em saneamento. Como centros de produção, essas cidades mostram saturação de indústrias em áreas restritas, trazendo diversos problemas a seus habitantes, provocados pelos elevados índices de poluição que apresentam.
            Nas cidades costeiras com vocação para o turismo, as condições de balneabilidade das praias vêm sendo comprometidas cada vez mais pelas descargas de esgotos "in natura" e pelas precárias condições de limpeza pública e coleta de lixo. É nelas que os interesses especulativos imobiliários forçam a ocupação de áreas de preservação ambiental, desfigurando a paisagem e destruindo ecossistemas naturais.
            Cidades históricas e religiosas como Ouro Preto (Minas Gerais), Olinda (Pernambuco) e Aparecida do Norte (São Paulo) também sofrem com a especulação imobiliária, com a favelização e com o turismo indiferente à preservação do patrimônio cultural e ambiental. Na Amazônia, as atividades extrativistas e o avanço da fronteira agrícola produziram cidades de crescimento explosivo, que se tornaram paradigmas para a degradação da qualidade de vida no meio urbano.

            Segundo GUATTARI (1995, p.94):

Os problemas ambientais e suas causas não são prerrogativas do Brasil. Outros países viveram problemas semelhantes e buscaram soluções que garantiram a qualidade de vida dos cidadãos e o simultâneo crescimento econômico. A diferença é que por ser um país jovem, o Brasil começou só na virada do último milênio, a enfrentar o desafio de um desenvolvimento socioeconômico que preserve o patrimônio natural do País para suas próximas gerações. Os brasileiros estão deixando suas antigas posições para entrar em uma nova era.

            A globalização dos mercados, o milagre das telecomunicações, a estabilização da economia são fatores que devem ser analisados criteriosamente se o objetivo buscado é o chamado desenvolvimento sustentado. O Brasil, através de ações governamentais e de iniciativas da população, está buscando alternativas que preservem o patrimônio natural do País e possibilitem o crescimento econômico.
            Na busca do equacionamento e da reversão da crise ambiental urbana, várias ações vêm sendo tomadas pela União, com a participação da sociedade civil. Políticas para saneamento e meio ambiente vêm sendo discutidas e implementadas em todo o Brasil desde os anos 70, embora não com a velocidade e efetividade compatíveis com o crescimento que o País vem experimentando nas últimas décadas. Esse diferencial criou um vácuo que começa a ser preenchido com uma melhor e mais completa compreensão por parte da população e dos administradores a respeito dos direitos, deveres e responsabilidades para com o meio ambiente. O País já reconhece seus problemas ambientais, tem instrumentos legais para resolvê-los e, acima de tudo, tenta implementá-los efetivamente.
            Alguns estados da União, por suas peculiaridades, dispõem de legislação própria e organismos especializados e os vêm implementando de forma bastante efetiva, contando com a parceria da sociedade civil na decisão de suas prioridades ambientais.
A presente pesquisa teórica empregará o método bibliográfico, através da pesquisa a artigos de revista e da Internet, bem como livros pertinentes à temática abordada.  

Segundo Fachin, (1993, p.102),

[...] a pesquisa bibliográfica diz respeito ao conjunto de conhecimentos humanos reunidos nas obras. Tem como base fundamental conduzir o leitor ao conhecimento de determinado assunto, à produção, coleção, armazenamento, reprodução, utilização e comunicação das informações coletadas para desempenho da pesquisa.


Para a melhor compreensão do objetivo da presente pesquisa, aquilatando-se seu real foco, faz-se necessário a correta utilização do método. Após a leitura e fichamento de textos especializados, procedeu-se à análise, interpretação e discussão dos mesmos, incluindo-se nesse rol, a comparação dos dados levantados. 
Com o intuito de desenvolver esta pesquisa e alcançar os objetivos propostos, seguiu-se certos métodos e técnicas de auxílio, como o método de abordagem indutivo. De acordo com Severino (2002, p. 192): "a indução ou o raciocínio indutivo é uma forma de raciocínio em que o antecedente são dados e fatos particulares e o consequente uma afirmação mais universal."
O primeiro capitulo analisara o planejamento urbano visando defini-lo como função chave da vida urbana.
O segundo capitulo trará uma visão do solo urbano e o meio ambiente, assim como as causas do uso indevido do solo e as consequências para o meio ambiente.
No terceiro e quarto capítulos falaremos sobre a importância da reciclagem e os seus efeitos no meio ambiente e também será descrito o processo de reciclagem de alguns materiais como alumínio, vidro, papel ondulado, embalagens cartonadas ou longa vida e também do plástico rígido, material esse que compõe 60% das garrafas plásticas no Brasil.
O quinto capitulo abordara a coleta seletiva e o principio dos 3R’s, como a gestão sustentável dos resíduos e a reutilização de produtos assim como também a reciclagem.
No sexto e ultimo capitulo exploraremos a responsabilidade social das empresas com o meio ambiente, uma vez que elas são importantes para o desenvolvimento econômico e o crescente consumo, cabe a elas abrir novas perspectivas para a construção de um mundo cada vez mais justo.





















1                       PLANEJAMENTO URBANO E MEIO AMBIENTE

           A evolução urbana acontece em função do crescimento vegetativo da população, da migração e também da incorporação de áreas rurais aos limites urbanos.

           Segundo ARAUJO (1979, p.66):

A partir da década de 40, o processo de urbanização acelera-se no Brasil, devido ao aumento das atividades industriais nas cidades. Já na década de 60 a modernização no campo amplia a concentração fundiária e expulsa a população rural para as cidades.


           Desde então, a urbanização acelerada leva as cidades a se unirem formando grandes aglomerados que concentram pessoas e a produção de bens de serviços. A transformação dessas áreas em regiões metropolitanas tem o objetivo de favorecer iniciativas de planejamento administrativo comum.
           O urbanismo visa definir as “funções chaves” da vida urbana como: organizar a cidade em zonas exclusivas e homogêneas de atividades, concentrar a função do trabalho em relação a áreas residenciais, criar uma cidade mais verde e impor sistemas de circulação de tráfego.
           Logo, as cidades são organizadas em âmbitos de influências institucionais, isto é, áreas da cidade, onde determinada instituição predomina nas atividades cotidianas, a distinção desses âmbitos se faz por uma distribuição espacial costumeira das distribuições urbanas, que já ocorre desde o início da colonização, seguindo os modelos da península Ibérica. Assim as instituições principais, Igreja e Estado, ocupam a praça, a do comércio, finanças e manufaturas, localizam-se a sua volta, no centro, e as moradias circundam essa área formando os bairros residenciais. Entretanto a praça, o centro e os bairros são tanto categorias espaciais quanto âmbito de atividades sociais determinadas; em um caso como no outro, distinguem-se entre si em função da divisão territorial instituída.
O planejamento urbano adequado de uma cidade condiciona a qualidade futura de seus habitantes com relação ao ambiente e suas necessidades em termos de:
  • Espaço para atividades (comerciais, industriais, serviços, etc...);
  • Demanda de água;
  • Demanda de energia elétrica;
  • Demanda por habitações;
  • Demanda por espaços naturais;
  • Demanda por números de veículos (dimensionamento do sistema viário);
  • Produção de resíduos, esgotos sanitários industriais, resíduos tóxicos.
           Porém, mesmo uma cidade tendo seu planejamento adequado, sua urbanização, suas políticas ambientais, os problemas continuam surgindo e ou aumentando, dependendo dos interesses de cada governo.
           Desses problemas, no entanto, o modelo de crescimento econômico acaba que limitado e incompatível com a finitude dos recursos do planeta e para evitar um provável colapso dos sistemas naturais é necessária a redefinição da idéia de progresso.
           Hoje se intensificam as lutas para a preservação do meio ambiente com a criação de uma série de organizações governamentais e não governamentais, ou partidos políticos, os chamados partidos verdes.
            “O modelo alternativo de crescimento econômico proposto é o desenvolvimento sustentável que pressupõe a utilização de sistemas mais racionais de exploração da natureza, baseados em tecnologias não predatórias que preservam o equilíbrio ecológico.” (BARBIERI, 1998, p.76).
           O crescimento desordenado e a expansão dos centros urbanos e da atividade industrial ocasionam uma série de impactos no meio ambiente que prejudicam as condições de saúde da população urbana, sem falar nos resíduos tóxicos lançados na atmosfera – resultante da quantidade excessiva de veículos – que afetam a qualidade do ar.
           Contudo, são criadas diretrizes urbanísticas para uma expansão urbana, onde explicitam as orientações gerais para o comportamento do poder público, da população, do meio ambiente e das atividades econômicas. Procura-se incorporar os avanços no conhecimento da cidade real e o conceito de planejamento.
Assim, é necessário atualizar as necessidades principais e futuras do município para tornar cada dia mais promissor o espaço urbano, pois ansiamos pela tecnologia, pela praticidade, mas não vivemos sem a natureza. Afinal, atrelar o desenvolvimento acelerando com a melhoria da qualidade de vida não é tarefa fácil.

            Segundo BECKER (1997, p.116):

No mundo do artifício a palavra de ordem é o civilizar. O mundo do artifício é aquele no qual imperam os modos de ser do homo faber, absolutamente onívoros e onipotentes. Esta presença aniquilante e absorvente, em relação às demais formas de vida, é que tem causado a paulatina exaustão ambiental do planeta.


               Não importa o que seja ou o que haja pela frente, o princípio que move a humanidade civilizadora é o de que a natureza está posta para servi-la, ainda que isto represente sua plena exaustão decorrente do mau uso dos recursos disponíveis.
            Desleixo, displicência, menosprezo e extrativismo predatório são palavras que combinam entre si. Tudo isto está muito presente na memória e na consciência populares. Isto é de fácil constatação e percepção no uso quotidiano da linguagem, pois é de costume dizer-se: “Daqui para frente é só mato!”, “Daquele lado não há nada além de mato!”, “Tudo isto nada mais era antes do que mato!”. Na palavra ‘mato’, grife-se, está escondido o desprezo pelo mundo natural, decorrência direta da ignorância humana, que qualifica, por vezes, ecossistemas complexos como a Mata Atlântica, o cerrado, a floresta Amazônica, com um único termo (mato) que trata de modo indiferente e homogêneo a biodiversidade e a riqueza naturais.

            Segundo BELLIA (1996, p.65):
           
Este espírito ‘colonizador’ humano confunde empreendedorismo com destruição, exploração com exaustão, movendo-se de forma preguiçosa quanto à consciência ecológica. Em nome da civilização, tudo está autorizado. É com este espírito que o que é urbano tornou-se antônimo do que é natural, e não do que é rural, e isto porque o urbano converteu-se no símbolo do artificialismo que expropria toda e qualquer manifestação natural. Eis o retrato das metrópoles, conurbações, megalópoles e grandes centros urbanos mundiais. Nestes ‘centros de humanidade’ vive-se em meio ao concreto, esbarra-se com estruturas metálicas, caminha-se sobre o asfalto, num universo de onde foram expulsas as formas naturais, como se fizessem parte de uma outra dimensão, a do não civilizado, a do rural, a do não-urbano. Por isso, o primeiro passo para civilizar um local, uma região, uma área, é desfigurar-lhe completamente a configuração natural, para que a ela se confira uma estética humana, um ‘toque especial’, para que se dê vazão ao projeto de um urbanista ou paisagista.

            O que há de curioso neste ser humano ‘colonizador’ é seu esdrúxulo amor pelo que é raro. A raridade é algo que cultua e contempla com fervor. Se a natureza, em todas as suas formas, era abundante, torna-a escassa, para que seja rara, e, portanto, valiosa. Então, nos redutos onde a escassez está preservada: cobrem-se taxas ambientais; construam-se casas milionárias; edifiquem-se empreendimentos e eco resorts de luxo, disponíveis para poucos; pague-se por caminhadas na floresta; desloquem-se pesquisadores e bases científicas para estudo da região; cerquem-se os limites do terreno para que não haja invasões... De todas as incoerências, esta parece ser a mais terrível.
            A onda progressista introduzida pela grande depuração técnica deflagrada na modernidade, pela disseminação do espírito mercantilista e burguês a partir do século XIV, pela industrialização ocorrida no século XVIII, pela sedimentação do cientificismo positivista do século XIX, bem como pela revolução tecnológica e atômica do século XX, é responsável por este processo de desertificação e extermínio das formas de vida, convertidas em repasto para o sustento de massas humanas insaciáveis e geometricamente progressivas.

            Segundo BRESSAN (1996, p.123):

Assim é que foram erigidos os limites das selvas de pedra. Aos poucos, a natureza foi-se reduzindo ao cativeiro: animais se observam nos zoológicos; os rios limpos estão apenas nas fotos antigas, a vegetação está restrita aos parques e reservas; de determinadas espécies animais extintas só se encontram traços e vestígios embalsamados e empoeirados em museus.

            Muito já se fez e se desfez em matéria ambiental, de modo que se pode dizer que a questão se apresenta como algo sem solução imediata. Somente a ampla conscientização, por meio da educação ambiental, pode aparecer como princípio de mudança e recuperação para um futuro promissor.








2                            SOLO URBANO E MEIO AMBIENTE


            O Brasil passou por dois fenômenos que merecem destaque quando se fala de ambientes urbanos: a rápida industrialização, experimentada a partir do pós-guerra, e a urbanização acelerada que se seguiu. No curso desse processo, reflexo das políticas desenvolvimentistas então vigentes, uma série de regras de proteção ao meio ambiente e ao cidadão foram desrespeitadas ou mesmo desconsideradas.

            Segundo BURSZTYN (1993, p.124):

Sem o sucesso e a estabilidade econômica de países como os Estados Unidos, Japão ou Alemanha, somente nos anos 70 o Brasil começou a voltar-se para as questões ambientais, de saneamento e de controle da poluição, logrando seu primeiro intento com o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), ao conseguir abastecer com água tratada cerca de 80% da população urbana brasileira. A partir de então, os grandes problemas ambientais do País vêm sendo identificados e controlados, porém nem sempre com a velocidade e intensidade que merecem.


            Quando se pensa no meio ambiente urbano no Brasil, não se pode esquecer o que ocorreu com a cidade de Detroit (EUA), por exemplo, que durante as décadas de 20 e 30 era o município mais poluído do mundo e hoje é um modelo de controle ambiental. O auge do desastre se deu para os norte-americanos em outra época, quando construíram uma mentalidade voltada para questões relacionadas ao meio ambiente. É exemplo também para todo o mundo o esforço feito na Grã-Bretanha para recuperar o Tâmisa. Os nossos Tâmisas começam a ser percebidos e tratados somente agora.

            De acordo com CAIRNCROSS (1992, p.171):

Desde os anos 50, a formação das cidades brasileiras vem construindo um cenário de contrastes, típico das grandes cidades do Terceiro Mundo. A maneira como se deu a criação da maioria dos municípios acabou atropelando os modelos de organização do território e gestão urbana tradicionalmente utilizada, e mostrou-se inadequada. O resultado tem sido o surgimento de cidades sem infraestrutura e disponibilidade de serviços urbanos capazes de comportar o crescimento provocado pelo contingente populacional que migrou para as cidades.
Entre as décadas de 50 e 90, a parcela da população brasileira que vivia em cidades cresceu de 36% para 75%, sendo que em 1991, nove regiões metropolitanas possuíam mais de 1 milhão de habitantes cada. Não obstante os evidentes desequilíbrios ambientais decorrentes desse processo, os espaços urbanos não receberam, na mesma proporção, a devida atenção por parte da mídia e dos governantes.

            Quando se trata do urbano, a complexidade do que se denomina problemas ambientais exige tratamento especial e transdisciplinar. As cidades não são apenas espaços onde se evidenciam problemas sociais. O próprio ambiente construído desempenha papel preponderante na constituição do problema, que transcende ao meio físico e envolve questões culturais, econômicas e históricas.
            Os grandes assentamentos urbanos concentram também os maiores problemas ambientais, tais como poluição do ar, sonora e hídrica; destruição dos recursos naturais; desintegração social; desemprego; perda de identidade cultural e de produtividade econômica. Muitas vezes, as formas de ocupação do solo, o provimento de áreas verdes e de lazer, o gerenciamento de áreas de risco, o tratamento dos esgotos e a destinação final do lixo coletado deixam de ser tratados com a prioridade que merecem.
            Nas metrópoles com grande concentração industrial exacerbam-se os problemas de degradação ambiental, trânsito, enchentes, favelização e assentamentos em áreas inundáveis, de risco e carentes em saneamento. Como centros de produção, essas cidades mostram saturação de indústrias em áreas restritas, trazendo diversos problemas a seus habitantes, provocados pelos elevados índices de poluição que apresentam.
            Nas cidades costeiras com vocação para o turismo, as condições de balneabilidade das praias vêm sendo comprometidas cada vez mais pelas descargas de esgotos "in natura" e pelas precárias condições de limpeza pública e coleta de lixo. É nelas que os interesses especulativos imobiliários forçam a ocupação de áreas de preservação ambiental, desfigurando a paisagem e destruindo ecossistemas naturais.
            Cidades históricas e religiosas como Ouro Preto (Minas Gerais), Olinda (Pernambuco) e Aparecida do Norte (São Paulo) também sofrem com a especulação imobiliária, com a favelização e com o turismo indiferente à preservação do patrimônio cultural e ambiental. Na Amazônia, as atividades extrativistas e o avanço da fronteira agrícola produziram cidades de crescimento explosivo, que se tornaram paradigmas para a degradação da qualidade de vida no meio urbano.

            Segundo GUATTARI (1995, p.94):

Os problemas ambientais e suas causas não são prerrogativas do Brasil. Outros países viveram problemas semelhantes e buscaram soluções que garantiram a qualidade de vida dos cidadãos e o simultâneo crescimento econômico. A diferença é que por ser um país jovem, o Brasil começou, só na virada do último milênio, a enfrentar o desafio de um desenvolvimento sócio-econômico que preserve o patrimônio natural do País para suas próximas gerações. Os brasileiros estão deixando suas antigas posições para entrar em uma nova era.

            A globalização dos mercados, o milagre das telecomunicações, a estabilização da economia são fatores que devem ser analisados criteriosamente se o objetivo buscado é o chamado desenvolvimento sustentado. O Brasil, através de ações governamentais e de iniciativas da população, está buscando alternativas que preservem o patrimônio natural do País e possibilitem o crescimento econômico.
            Na busca do equacionamento e da reversão da crise ambiental urbana, várias ações vêm sendo tomadas pela União, com a participação da sociedade civil. Políticas para saneamento e meio ambiente vêm sendo discutidas e implementadas em todo o Brasil desde os anos 70, embora não com a velocidade e efetividade compatíveis com o crescimento que o País vem experimentando nas últimas décadas. Esse diferencial criou um vácuo que começa a ser preenchido com uma melhor e mais completa compreensão por parte da população e dos administradores a respeito dos direitos, deveres e responsabilidades para com o meio ambiente. O País já reconhece seus problemas ambientais, tem instrumentos legais para resolvê-los e, acima de tudo, tenta implementá-los efetivamente.
            Alguns estados da União, por suas peculiaridades, dispõem de legislação própria e organismos especializados e os vêm implementando de forma bastante efetiva, contando com a parceria da sociedade civil na decisão de suas prioridades ambientais.







3                        SOBRE A IMPORTÂNCIA DA RECICLAGEM


            “Reciclagem é um conjunto de técnicas que tem por finalidade aproveitar os detritos e reutilizá-los no ciclo de produção de que saíram.” (HOGAN, 1995, p.16) É o resultado de uma série de atividades, pela qual, materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de novos produtos.
            Reciclagem é um termo originalmente utilizado para indicar o reaproveitamento (ou a reutilização) de um polímero no mesmo processo em que, por alguma razão foi rejeitado.  
            Reciclar outro termo usado é na verdade fazer a reciclagem.
            O retorno da matéria-prima ao ciclo de produção é denominado reciclagem, embora o termo já venha sendo utilizado popularmente para designar o conjunto de operações envolvidas. O vocábulo surgiu na década de 1970, quando as preocupações ambientais passaram a ser tratadas com maior rigor, especialmente após o primeiro choque do petróleo, quando reciclar ganhou importância estratégica. As indústrias recicladoras são também chamadas secundárias, por processarem matéria-prima de recuperação. Na maior parte dos processos, o produto reciclado é completamente diferente do produto inicial. 

            Segundo MCFETRIDGE (1992, p.145):
 
Ao fim de um dia comum, cada brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo. Em setenta anos de vida, serão cerca de 25 toneladas de resíduos. Somando o descarte de todos os brasileiros, o monturo diário chega a 170 000 toneladas, o suficiente para encher 1,7 milhão de sacos de lixo grandes - quase um Pão de Açúcar - ao fim de um ano. Dessa montanha de sujeira, 65% são formados por matéria orgânica pouco aproveitada, que poderia ser transformada e aplicada na agricultura e na produção de energia. O restante é composto de vidro, plástico, papel e metais, materiais recicláveis que demoram centenas de anos para desaparecer totalmente da natureza ou são tóxicos ou nocivos ao ser humano. Todo esse montante é depositado, na maioria dos casos, em áreas pouco apropriadas, poluindo o meio ambiente. Há caminhos para diminuir a montanha de lixo. Eles combinam, além da coleta, seleção, reciclagem, compostagem, tratamento e destino adequados.

            Os resíduos das cidades são de responsabilidade das prefeituras. O ideal seria que investissem em aterros sanitários - áreas com infra-estrutura, em formato de piscinas gigantes, com solo impermeável em que o lixo é depositado e coberto com camadas de terra. Nesses locais, o líquido resultante da decomposição orgânica, o chorume, não contamina o terreno. Ao mesmo tempo, há tratamento adequado dos gases emitidos pelo lixo. Geralmente, os governos municipais só têm recursos para criar e monitorar poucas áreas controladas, sem a mesma sofisticação dos aterros. Boa parte do lixo urbano do país acaba mesmo em lixões clandestinos e que ficam a céu aberto. Alguns países europeus, com pouco espaço para o armazenamento dos resíduos, dão exemplos que podem ser seguidos. A tecnologia de compostagem do lixo orgânico doméstico para transformá-lo em adubo está bastante avançada na Itália.
            Em vez de espalhar os detritos em uma área ao ar livre, revolvendo a terra para que o lixo se transforme em fertilizante, foi desenvolvida uma técnica em que o lixo é colocado em células de concreto. Elas recebem oxigênio para "alimentar" as bactérias e acelerar o processo de decomposição. Resultado: em um mês o composto está pronto para o uso na agricultura. O problema é que o lixo brasileiro vem cheio de pedaços de plástico e vidro. Não dá para usar como fertilizante.
            Esse é um problema sério. A separação de plásticos, vidros e papel que acontece no Brasil se deve muito mais ao trabalho de catadores de lixo do que a conscientização ambiental.

            Segundo BECKER (1997, p.58):

O Brasil é campeão mundial na reciclagem de alumínio e papelão: cerca de 80% do total descartado volta para as indústrias, principalmente pelo trabalho de milhares de catadores. O objetivo do governo e de algumas entidades ambientais é fazer com que as classes média e alta também se preocupem com o assunto e se envolvam na reciclagem. Em uma série de campanhas, redes de supermercados estimularam a separação de garrafas de refrigerantes de plástico, que foram trocadas por cupons de descontos. São ações isoladas, mas dão resultados: no ano passado, 33% das 270 000 toneladas de resina usada em vasilhames tipo PET vieram de reciclagem.

            Uma prova de que acabar com lixo não é apenas uma questão de qualidade de vida, mas também pode ser um negócio lucrativo.



4                           O PROCESSO DE RECICLAGEM


            A reciclagem do lixo assume um papel fundamental na preservação  do meio ambiente. Além de diminuir a extração de recursos naturais, ela devolve para a terra uma parte de seus produtos e reduz o acúmulo de resíduos nas áreas urbanas. Os benefícios obtidos nesse processo são enormes para a sociedade, para a economia do país e para a natureza.
            É de bom tom ressaltar que nos dias atuais, apesar da importância que a reciclagem assume, é fundamental que haja uma consciência da população em gerar menor quantidade de lixo. Para tanto, é necessário evitar o desperdício no dia-a-dia e reutilizar ao máximo, objetos e embalagens descartáveis.

4.1 Materiais Propensos à Reciclagem

4.1.1 Latas de alumínio
                       
            São usadas basicamente como embalagem de bebidas. Cada  brasileiro consome em média 25 latinhas por ano, volume bem inferior ao norte-americano que é de 375. Além de reduzir a reciclagem desse material energético. Para reciclar uma tonelada de latas se gasta 5% da energia necessária para produzir a mesma quantidade e alumínio pelo processo primário. Isto significa que cada latinha reciclada equivale ao consumo e um aparelho de TV  durante 03 horas.
           A reciclagem evita a extração da bauxita, o mineral beneficiado para a fabricação da alumínia, que é transformada em liga de alumínio. Cada tonelada do metal exige cinco de minério.
            Depois de coletadas, as latas de alumínio vazia são amassadas por prensas especiais, algumas computadorizadas, que fornecem o ticket com o valor referente a quantidade entregue. O material é enfardado pelos sucateiros cooperativas de catadores, supermercados e escolas e repassados para as indústrias de fundição. Em seus fornos, as latinhas são derretidas e transformadas em lingotes de lâminas de alumínio que por sua vez, comercializam as chapas para as indústrias de lata. O material pode ser reciclado infinitas vezes sem perder nenhuma de suas características.  Com a evolução desse processo já é possível que uma lata de bebida seja colocada na prateleira do supermercado, vendida, consumida, reciclada,  transformada  em nova  lata,  envasada,  vendida  e   novamente  exposta  na  prateleira em 42 dias.

No Brasil, o material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento e sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. As latas vazias são misturadas com outras sucatas de alumínio e fundadas para a produção de panelas e outros  utensílios domésticos. (ROCHA, 1997, p.77)


4.1.2 Vidro


            As embalagens de vidro são usados para bebidas, produtos comestíveis, medicamentos e perfumes, cosméticos e outros artigos. Garrafas, potes e frascos superam a metade da produção de vidro no Brasil. Usando em sua formulação areia, calcário, barrilha e feldspato, o vidro é durável, inerte e tem alta de aproveitamento nas residências. A metade dos recipientes de vidro fabricado no país é retornável. Além disso, o material é de fácil reciclagem: pode voltar a produção de novas embalagens substituindo o produto virgem sem perda de qualidade. A inclusão de caco de vidro no processo normal de produção reduz o gasto com energia. Para cada 10% de caco de vidro na mistura, economiza-se 2,5%  da energia para fusão nos fornos  industriais.

O vidro é feito de matérias-primas naturais... é 100%  reciclável. A massa vítrea é o produto da fusão de areia, calcário, dolomita, feldspato e bórax na presença de um fundente – o carboneto de sódio... A fusão do vidro obtido dessas matérias-primas virgens realiza-se em fornos contínuos a uma temperatura de 1.500 a 1.600 graus centígrados. Para obter uma tonelada de vidro, uma vez, formado, é fusível a uma temperatura de 1.000 a 1.200 graus centígrados. E a reutilização do caco de vidro como matéria-prima faz sem perdas. (LUCCI, 1997, p.116)


            Nos sistemas de reciclagem mais completos, o vidro bruto estocado em tambores e submetido a um eletroímã para separação dos metais contaminantes. O material é lavado em tanque com água que após o processo precisa ser tratada e recuperada para evitar desperdício e contaminação do lençol freático. Depois, o material passa por uma esteira ou mesa destinada à catação de impureza como restos de metais, pedras, plásticos e vidros indesejáveis que não tenham sido retidos. Um triturador de 2 HP transforma as embalagens em cacos de tamanho homogêneo que são encaminhados para uma peneira vibratória. Outra esteira leva o material para um segundo eletroímã, que separa os materiais ainda existentes nos cacos. O vidro é armazenado em selo ou tambores para abastecimento da vidraria, que usa o material na composição de novas embalagens.
            O principal mercado para recipiente de vidros usados é formado pelas vidrarias, que compram o material de sucateiros na forma de cacos ou recebem diretamente em suas campanhas de reciclagem. Além de voltar a produção de embalagem, a sucata pode ser aplicada na composição de asfalto e pavimentação de estradas, construção de sistemas de drenagem contra enchentes, produção de espuma de fibra de vidro, bijuterias e tintas reflexivas. Devido ao peso, uma das dificuldades para a reciclagem de vidro é o custo do transporte da sucata. Os sucateiros e vidrarias costumam exigir o mínimo de 10 toneladas para fazer a coleta a uma distância não superior a 400 quilômetros. O vidro deve ser separado por cor para evitar alterações  de padrão visual do produto final e reações que formam espumas indesejáveis no forno. Frascos e remédios só podem ser reciclados se coletados separadamente do lixo hospitalar.

4.1.3 Papel ondulado

O papel ondulado também conhecido como papel  enrugado, é usado basicamente em caixas para transporte de produtos para as fábricas, depósitos, escritórios e residencial. Este material tem uma camada intermediária de papel entre as partes exteriores, disposta em ondulações, na forma de uma sanfona. O Brasil tem reciclado 720 mil toneladas de papel ondulado por ano, representando 48,9% do total de aparas encaminhadas para reciclagem. A produção nacional é de 1,2 milhões de toneladas por ano. (MARTINE, 1996, p.119)

            O material é desagregado no “hidropulper”, uma espécie de liqüidificador gigante que separam as fibras, transformando-as em uma mistura homogênea. Em seguida por meio de peneiras retira-se as impurezas, como fitas adesivas e metais. No caso do papel ondulado, ao contrário, do papel de escritório não é preciso aplicar técnicas de limpeza fina. Com as fibras de melhor qualidade faz-se a capa de papel que é colocada na superfície externa da caixa de papelão  as de qualidade inferior  são utilizadas na fabricação do forro, que reverte a parte interior. E as de pura qualidade servem para produzir o miolo ondulado, por meio de uma máquina que se chama “corrugadeira”.
            O papel ondulado é o material que mais usa no Brasil. São Paulo (43,7%); Paraná (12,7); e Rio de Janeiro (11,8), estes são os maiores consumidores de aparas para a fabricação se todos os tipos de papel.

As caixas de papel ondulado normalmente têm pouco peso. Nos últimos anos, obteve-se redução de peso entre 10 e 15%. A necessidade de testes de compressão, empilhamento e ruptura para garantir a resistência do material, limita sua capacidade de redução do peso. O uso de fibras recicladas em maior quantidade pode aumentar o peso da caixa de papel ondulado, tornando-o mais resistente (MARTINE, 1996, p.120).

          
Em outubro de 1999, a catadora de lixo de Belo Horizonte, Maria das Graças Marçal, conhecida nas ruas como Dona Geralda, recebeu um prêmio concedido pela UNESCO, por liderar a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis, ASMARE, de Belo Horizonte. A ASMARE vem mudando a vida de dezenas de catadores de papel que viviam na indigência, perambulando pelas ruas da cidade. São 235 integrantes, que coletam mensalmente 450 toneladas  materiais recicláveis. Cada um recebe hoje três salários mínimos em média. São beneficiadas cerca de 100 pessoas. A ASMARE impõe regras definidas para os associados, colaborando também com o desenvolvimento da cidadania no seu ambiente próximo, assegurando-lhes uma vida mais digna.

4.1.4 Embalagens cartonadas- longa vida

A embalagem longa vida é composta de várias camadas de material  duplex (15%)  polietileno  de baixa densidade (20%)  e alumínio (5%).  Assim é criada uma barreira que impede a entrada de luz, ar, água e micro-organismos nos alimentos e bebidas que envolve. A embalagem cartonada ainda dispensa por muitos meses a refrigeração, processo atualmente apontado como maior consumidor mundial de CFC (clorofluorcarbono). Com o peso unitário baixo, a embalagem longa vida também exige menos quantidade de combustível para ser transportada, contribuindo para diminuir a emissão de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. (MARTINE, Op. Cit., p.121)


            A reciclagem é feita por meio de alguns equipamentos, o hidrapulper, um purificador, células de flotação para tratamento das águas residuais, peneiras pressurizadas e laterais de cones purificadores. O material é agitado com água durante 30 minutos. Depois o líquido resultante é filtrado e lavado para recuperação das fibras, usadas na produção de papel toalha, papel kraft, papelão ondulado etc. Os resíduos de alumínio e polietileno são queimados em caldeiras de biomassa com filtros para  a geração de vapor. Em outro processo, o material resultante da reciclagem das fibras (plástico e alumínio) que corresponde a 255 da massa inicial da embalagem, deverá ser reprocessado em um forno de pirólese para recuperação do metal. O plástico existente servirá como combustível no mesmo forno de pirólise, reduzindo o consumo de gás natural, necessário para fusão do alumínio.
            Há pouca disponibilidade das embalagens longa vida no lixo urbano brasileiro. Atualmente, são recicladas as aparas e sobras da produção das embalagens cartonadas e matéria pós-consumo, derivados da coleta seletiva realizada em algumas cidades do país. Na fábrica da Tetra Park de Monte Mor, no interior do Estado de S. Paulo, o resíduo de polietileno é enviado para reciclagem, servindo de matéria-prima para a produção de uma série de itens de plásticos (sacos, brinquedos, peças etc.). Já o material laminado é reciclado integralmente para a produção de papel higiênico, papel toalha, papelão ondulado e embalagem de polpa moldada para ovos.
            Estudos realizados na Alemanha mostram que as embalagens longa vida geram 60% a menos de volume em aterros sanitários, em comparação com garrafas reutilizáveis – em relação às descartáveis, o volume é nove vezes menor. Para se ter uma idéia, 300 embalagens cartonadas se um litro, vazias e compactadas, ocupam o espaço equivalente a onze litros.

4.1.5 Plástico rígido

            O plástico rígido é o material que compõe cerca e 60% das embalagens plásticas no Brasil, como garrafas de refrigerantes, recipientes para produtos de limpeza e higiene e restos de alimentos, e também matéria-prima de bombonas, fibras têxteis, tubos e conexões, calçados, eletrodomésticos etc. O Brasil consome 18 milhões de toneladas de plásticos por ano. Dessas, 350 mil toneladas, são despejadas nos aterros sanitários, embora podem ser reaproveitados em novos artefatos plásticos e energia.
            Depois de separado, enfardado e estocado, o plástico é moído por um moinho de facas e lavado para voltar ao processamento industrial. Após a secagem o material é transferido para o aglutinador que tem a forma de um cilindro, contendo hélices que giram em alta rotação e aquecem o material para ficção, transformando-o em uma pasta plástica. Em seguida, aplica-se água em pequena quantidade para provocar o resfriamento que faz as moléculas se contraírem, aumentando a identidade. Desta forma o plástico adquire a forma de glânulos e entra na máquina que funde e dá o aspecto homogêneo, transformando-o em tiras (espaghetti). Em última etapa, as tiras passam por um banho de resfriamento, que solidificam. Após são picotados em grãos (pellets), vendidos para fábricas de artefatos plásticos, que podem ser misturados em materiais reciclados com resina virgem. É possível usar 100% de material reciclável.
           O principal mercado consumidor e plástico reciclado na forma de grânulos são as indústrias de artefatos plásticos, que são utilizados na produção de baldes, cabides, garrafas de água sanitária, acessórios para automóveis etc.
           Calcula-se que existem no Brasil, cerca de 300 instalações industriais  de reciclagem de plástico, que faturam perto de 50 milhões de reais, por ano e geram até 20 mil empregos diretos. Nos últimos 20 anos, o peso médio das embalagens plásticas em geral diminuiu cerca de 50%, reduzindo o impacto de seu descarte em aterros, com a produção de plásticos mais duráveis e de melhor qualidade, aumentou o índice de embalagens reutilizadas.











5                      COLETA SELETIVA E O PRINCÍPIO DOS 3 R’s


            “A gestão sustentável dos resíduos sólidos pressupõe reduzir o uso de matérias-primas e energia, reutilizar produtos e reciclar materiais. A coleta seletiva é uma alternativa concreta” (MARTINE, 1996, p.104).
            A geração de resíduos sólidos no Brasil é um dos grandes problemas enfrentados pelo poder público, principalmente no nível municipal.

Mais de 241 mil toneladas de resíduos são produzidos diariamente no país. Apenas 63% dos domicílios contam com coleta regular de lixo. A população não atendida algumas vezes queima seu lixo ou dispõe-no junto a habitações, logradouros públicos, terrenos baldios, encostas e cursos de água, contaminando o ambiente e comprometendo a saúde humana.
Do total de resíduos coletados, 76% são dispostos a céu aberto, o restante é destinado a aterros (controlados, 13%; ou sanitários, 10%), usinas de compostagem (0,9%), incineradores (0,1%) e uma parcela ínfima é recuperada em centrais de triagem/beneficiamento para reciclagem, segundo Manual de Gerenciamento Integrado pelo IPT/CEMPRE. (CERQUEIRA, 1999, p.21)

            O lixo depositado a céu aberto, nos chamados lixões, provoca a proliferação de vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos, etc.), gera maus odores e, principalmente, contamina o solo e as águas superficiais e subterrâneas. Mesmo os aterros sanitários, por mais bem construídos que sejam, também causam impactos ambientais e à saúde, já que a penetração das águas das chuvas contamina os lençóis freáticos. Os aterros, por ocuparem terrenos extensos, são uma alternativa problemática de destinação de resíduos em áreas de alta urbanização. Tampouco as usinas de compostagem são uma solução adequada pois os materiais coletados sem prévia separação resultam em um composto orgânico de baixa qualidade. Por fim, a incineração de resíduos não deve ser considerada como solução pelo impacto no ambiente e na saúde humana.
            A gestão sustentável dos resíduos sólidos pressupõe uma abordagem que tenha como referência o princípio dos 3 Rs, apresentado na Agenda 21: “redução (do uso de matérias-primas e energia e do desperdício nas fontes geradoras), reutilização direta dos produtos, e reciclagem de materiais.” (BELLUCI & AGUIAR, 1990, p.135) A hierarquia dos Rs segue o princípio de que causa menor impacto evitar a geração do lixo do que reciclar os materiais após seu descarte. A reciclagem de materiais polui menos o ambiente e envolve menor uso de recursos naturais, mas raramente questiona o atual padrão de produção, não levando à diminuição do desperdício nem da produção desenfreada de lixo.
            O Brasil ainda está muito distante de mudanças mais estruturais, que reduzam o volume de resíduos gerados, o que aumenta a importância dos programas de coleta seletiva de lixo. Só ela, no entanto, não soluciona todos os problemas relativos à destinação de resíduos sólidos e deve ser considerada dentro de um plano mais amplo, de gerenciamento integrado do lixo.
            Diversas preocupações motivam um programa de coleta seletiva de lixo:
a)     Ambiental/geográfico, onde estão em questão a falta de espaço para disposição do lixo, a preservação da paisagem, a economia de recursos naturais e a diminuição do impacto ambiental de lixões e aterros;
b)     Sanitário, onde a disposição inadequada do lixo, às vezes aliada à falta de qualquer sistema de coleta municipal, traz inconvenientes estéticos e de saúde pública;
c)     Social, quando o trabalho enfoca a geração de empregos e o resgate da dignidade, estimulando a participação de catadores de rua e de lixões;
d)     Econômico, com o intuito de reduzir os gastos com a limpeza urbana e investimentos em novos aterros;
e)     Educativo, que vê um programa de coleta seletiva como forma de contribuir para mudar valores e atitudes individuais para com o ambiente, incluindo a revisão de hábitos de consumo, ou para mobilizar a comunidade e fortalecer o espírito de cidadania.
            “A maioria dos programas de coleta seletiva atribuem bastante importância à educação da população relativa à questão do lixo” (CERQUEIRA, 1999, p.16) A educação não se restringe à divulgação de informações: é preciso que se estabeleça um vínculo entre as pessoas e seu meio ambiente, de forma a criar novos valores e sentimentos que mudem as atitudes. Deve-se dedicar, portanto, especial atenção tanto à seleção quanto à capacitação dos profissionais que ficarão responsáveis pela implementação de programas educativos voltados para compreensão dos 3 Rs.
            É interessante que o planejamento do programa de coleta seletiva  seja  iniciado pelo "fim", pesquisando-se as alternativas de destinação para os  materiais  recuperados, pois  as  interrupções  do programa fazem com que ele perca a credibilidade junto à população.































6               RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS COM O                  MEIO AMBIENTE



Responsabilidade Social é uma forma de conduzir os negócios da empresa de tal maneira que a torna parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e conseguir incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários.
As empresas e todo o setor privado são importantes agentes de promoção do desenvolvimento econômico e do avanço tecnológico que está transformando rapidamente o nosso planeta numa aldeia global. Com a crescente interdependência de todos, o bem-estar da humanidade depende cada vez mais de uma ação cooperativa em nível local, regional, nacional e internacional. A participação do setor empresarial por sua capacidade criadora, seus recursos e sua liderança é crucial.
Os diversos setores da sociedade estão redefinindo seus papéis. As empresas, adotando um comportamento socialmente responsável, são poderosos agentes de mudança para, juntamente com estados e sociedade civil, construir um mundo melhor.  Este comportamento é caracterizado por uma coerência ética nas suas ações e relações com os diversos públicos com os quais interagem, contribuindo para o desenvolvimento contínuo das pessoas, das comunidades e de suas relações entre si e com o meio ambiente.
Ao adicionar às suas competências básicas um comportamento ético e socialmente responsável, as empresas adquirem o respeito das pessoas e comunidades que são impactadas por suas atividades e são gratificadas com o reconhecimento e engajamento dos seus colaboradores e a preferência dos consumidores.
A responsabilidade social está se tornando cada vez mais fator de sucesso empresarial e isso abre novas perspectivas para a construção de um mundo economicamente mais próspero e socialmente mais justo.
As transformações sócio-econômicas dos últimos 10 ou 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro. Se, por um lado, o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza; por outro lado, é bem sabido que com grande poder, vem grande responsabilidade. Em função da capacidade criativa já existente, e dos recursos financeiros e humanos já disponíveis, empresas têm uma intrínseca responsabilidade social.
A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é, portanto, relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos  negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem-estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, conseqüentemente, maior lucratividade. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características: 

  • É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social (social license to operate).
  • É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Tal e qual consumidores e empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.
  • É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.
  • É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparência. Não mais nos bastam os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.
Cobra-se hoje das empresas uma atitude correspondente ao conceito da Cidadania Corporativa Global, que envolve ao mesmo tempo a sustentabilidade e a responsabilidade social, de fato totalmente indissociáveis.

Segundo DUARTE (1986, p.45):

Não se deve pensar em sustentabilidade como algo restrito ao meio ambiente, assim como responsabilidade social não se limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Os dois conceitos estão intrinsecamente ligados. Uma empresa que pretenda perenizar seu negócio deverá adotar uma estratégia que contemple o que os ingleses chamam de ‘triple bottom line’, ou seja, gerar valor nas dimensões econômica, ambiental e social.


Da mesma forma, responsabilidade social corporativa significa entender e agir em resposta a essa nova demanda da sociedade, que é a de que o valor gerado por uma empresa se reflita em benefícios não somente para seus acionistas, mas que tenha também um impacto positivo para o conjunto dos afetados por suas operações, em particular o meio ambiente e a comunidade (seus próprios funcionários e o restante da sociedade), respeitando sua cultura e agindo de forma ética e transparente.
Aqui é necessário fazer a distinção entre o que pretende e pode alcançar uma empresa e o que foi definido como ‘desenvolvimento  sustentável’ por MATTAR (2001, p.46), que cunhou a seguinte definição: “desenvolvimento sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”.
           Essa é uma aspiração do conjunto da humanidade. As empresas participam desse processo buscando a sua própria sustentabilidade. Pela relação intrínseca entre os dois conceitos, podemos intuir que as empresas que buscam a sustentabilidade de seus negócios passarão necessariamente por um projeto de responsabilidade social corporativa.
           Já existem também referências importantes de como o investimento em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável está se tornando fundamental para a viabilidade e consolidação das empresas. Em fevereiro de 2003, foi lançada a versão brasileira do estudo “Criando Valor - O business case para sustentabilidade em mercados emergentes”. Esse estudo, abrangendo 60 países e 240 experiências de empresas - 19 delas brasileiras - mostra os benefícios resultantes de negócios que consideram impactos sociais e ambientais. A pesquisa foi realizada pelo IFC (International Finance Corporation), órgão do Banco Mundial, e pela consultoria internacional SustainAbility, tendo o Instituto Ethos como parceiro no Brasil.
O estudo “Criando Valor” sistematiza as múltiplas oportunidades que estão ao alcance das empresas que adotam boas práticas de governança corporativa, ambientais e de desenvolvimento socioeconômico - como aumento de vendas, redução de custos, minimização de riscos, melhoria da imagem da empresa e maior acesso ao capital. Uma das conclusões do trabalho é que tais práticas estão presentes na vida de grande número de empresas em países de economia emergente, contradizendo uma noção de senso comum de que esse tipo de preocupação é acessória e cara demais para empresas que atuam nesses mercados. O estudo revela ainda que as empresas que estabelecem ações e estratégias de sustentabilidade, de acordo com as prioridades específicas de sua área de atuação, obtêm resultados concretos em termos de produtividade e competitividade.
O desafio está posto. O caminho da responsabilidade social empresarial e do desenvolvimento sustentável aponta para um cenário no qual os resultados e benefícios obtidos são compartilhados pelas próprias empresas, pelo conjunto de parceiros envolvidos em seus negócios, pelas comunidades onde atuam e pela sociedade em que estão inseridas. Nós acreditamos que os empresários brasileiros saberão reconhecer o valor dessa nova postura realizando-se plenamente, não só como empreendedores, mas também como cidadãos.























CONCLUSÃO


O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do Desenvolvimento Sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, à redução da pobreza no mundo.
Face ao exposto ficou comprovada a necessidade de se associar o desenvolvimento econômico dos centros urbanos com a proteção ao meio ambiente.
Sabe-se que as ações que dizem respeito à responsabilidade social das empresas, não estão sendo cobradas por meios de instrumentos legais, mas, através da pressão dos grupos sociais ou da própria comunidade, obrigando as empresas a definirem não só objetivos econômico-financeiros, como também, objetivos de caráter social.
Acredita-se que na medida em que as instituições sociais começam a exigir mais transparência e responsabilidade social por parte de todas as empresas, futuramente, teremos organizações realmente comprometidas com seu meio ambiente.
Acredita-se também que o exercício da cidadania empresarial assegura, a qualquer empresa, ganhos e benefícios diversos, como valorização da imagem, aumento nas vendas, difusão da marca, fidelidade dos clientes e retorno para os acionistas pelo desenvolvimento social da comunidade.
            O adensamento populacional nos centros urbanos e o crescente consumo de produtos industrializados têm proporcionado acentuado aumento no volume dos resíduos sólidos comerciais e domiciliares, acarretando o agravamento de problemas ambientais, sanitários e sociais nas grandes cidades.
            Pela revisão literária realizada, ficou evidente a conveniência da utilização de mecanismos de limpeza pública na gestão de políticas ambientais, tornando concreta a participação de cada cidadão em processos simples e diretos, capazes de alterarem a qualidade de vida de toda a sociedade.
             Sendo a geração de resíduos sólidos inerente ao cotidiano de todos os cidadãos, interferir no hábito de destiná-los em recipientes distintos, de acordo com sua natureza, constitui prática adequada para despertar o interesse por informações sobre a origem e o destino de cada resíduo gerado, induzindo questionamentos que venham a promover alterações nos hábitos de consumo e desperdício da sociedade em que vivemos.
            Sendo assim, a reciclagem é uma alternativa bastante viável para a preservação ambiental e pode ser implementada a nível da empresa, do município e também no dia-a-dia do cidadão comum. A educação ambiental deve começar na escola e estender-se a todos os segmentos da sociedade.
No Brasil, seria importante que as pequenas e médias empresas recicladoras tivessem apoio financeiro e tecnológico para melhorar suas tecnologias de reciclagem, pois assim estariam contribuindo na geração de empregos, na diminuição de lixo e na produção de produtos de melhor qualidade com tecnologia "limpa".
O lixo, considerado um problema, para os municípios pode ser utilizado, através da reciclagem, como fonte geradora de riqueza, agregando valor às indústrias e gerando empregos. A palavra chave do momento é “desenvolvimento sustentável”, ou seja, atender as necessidades do presente sem comprometer a qualidade de vida no futuro.












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